Para aqueles que são amantes da natureza...

"Este cerrado é um pouco como o nosso povo brasileiro. Frágil e forte. As árvores tortas, às vezes raquíticas, guardam fortalezas desconhecidas. Suas raízes vão procurar nas profundezas do solo a sua sobrevivência, resistindo ao fogo, à seca e ao próprio homem. E ainda, como nosso povo, encontra forças para seguir em frente apesar de tudo e até por causa de tudo"

Newton de Castro


sábado, 2 de abril de 2016

Ácidos Nucléicos

Tipo de composto químico, de elevado peso molecular, que possui ácido fosfórico, açúcares e bases purínicas e pirimidinicas. 

São macromoléculas formadas por nucleotídios. 



Ocorrem em todas as células vivas e são responsáveis pelo armazenamento e transmissão da informação genética e por sua tradução que é expressa pela síntese precisa das proteínas. 
Em 1869, Friederich Miescher, trabalhando em Tügingen, sul da Alemanha, iniciou experiências que aparentemente eram de pouca importância. Seu trabalho consistia no exame de células do pús humano. O pesquisador retirava o material para estudo a partir de curativos utilizados em secreções purulentas. 
O processo utilizado pelo pesquisador era fazer o produto retirado das células ser assimilado por uma enzima digestiva chamada de pepsina. 
Através de centrifugações e outros processos de separação e filtragem observou o aparecimento de uma substância química desconhecida e rica em fósforo. 
Inicialmente esta substância foi chamada de nucleína. 
Ao submetê-la à verificação do pH, descobriu que esta substância era bastante ácida. 
Em função desta descoberta, Miecher mudou o nome do produto para “Ácido Nucléico”. 
A descoberta na época passou praticamente despercebida ficando no esquecimento. 
Somente oitenta anos depois o ácido nucléico acabou por ter sua importância revelada pela ciência sendo conhecido como a “chave da vida”. 
Os ácidos nucléicos são moléculas orgânicas relacionadas ao controle das atividades celulares, ao armazenamento e à transmissão das informações hereditárias ao longo das gerações. Há dois tipos de ácidos nucléicos, o DNA (ácido desoxirribonucléico) e o RNA (ácido ribonucléico). 

Composição dos Ácidos Nucléicos 

Os ácidos nucléicos são grandes moléculas constituídas por unidades menores denominadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo é constituído por três componentes: uma pentose (açúcar com 5 carbonos na molécula), uma base nitrogenada (púrica e pirimídica) e um ácido fosfórico. 



As bases nitrogenadas podem ser divididas em dois grupos: purinas e pirimidinas. No grupo das purinas estão a adenina (A) e a guanina (G). As pirimidinas são a citosina (C), a timina (T) e a uracila (U). 

Adenina, guanina e citosina estão presentes tanto no DNA como no RNA. No DNA apresenta timina e no RNA só apresenta a uracila. 

O DNA 

No DNA estão codificadas as informações genéticas que controlam praticamente todos os processos celulares. Essas informações são transmitidas de uma geração para a próxima. A molécula de DNA é formada por duas cadeias de nucleotídeos ligadas entre si por meio de ligações de hidrogênio entre as bases nitrogenadas. 
O DNA tem a capacidade de duplicar sua molécula em um processo chamado de replicação. 
Está presente no núcleo das células eucarióticas, nas mitocôndrias e nos cloroplastos, e no citosol das células procarióticas. 
Nas células germinativas e no ovo fertilizado, dirige todo o desenvolvimento do organismo, a partir da informação contida em sua estrutura. 
É duplicado cada vez que a célula somática se divide. 
Sua molécula é formada por uma fita dupla antiparalela, enrolada sobre si mesma formando uma dupla hélice, escrita pela primeira vez por Watson e Crick em 1953. 
Esta descoberta é hoje apontada como o maior roubo da história da ciência. Na corrida desesperada por mostrar como era o DNA competiam dois grupos: Maurice Wilkins (Londres) e Crick e James Watson (Cambridge). 
Rosalind Franklin obteve raio-X de imagens de DNA em 1952, mas não percebeu que se tratava de uma dupla hélice. A pesquisadora fazia parte da equipe Maurice Wilkins. 
Em 1953, Wilkins, Watson e CricK publicariam um artigo na revista "Nature" com a proposta de estrutura, hoje consagrada. Franklin não foi citada na publicação e morre em 1958, com câncer no ovário, aos 37. Em 1962, o trio ganha o Nobel de medicina. 







O RNA 

O RNA é formado por apenas uma cadeia de nucleotídeos. As bases nitrogenadas presentes no RNA são a adenina, a uracila, a guanina e a citosina. O RNA, de forma geral, é responsável pela expressão das informações contidas no DNA, atuando na produção de proteínas. As moléculas de RNA são produzidas de moléculas de DNA pelo processo de transcrição. 
Não há consenso sobre o motivo de não haver timina no RNA, estando apenas no DNA. É possível que o DNA como ácido nucléico permanente e passado as próximas gerações tenha substituído a uracila por timina por esta última ser mais “estável” do que a uracila. A timina é menos suscetível a ocorrências de mutações. O RNA como estrutura temporária permaneceu com a presença de uracila.
Existem 3 tipos de RNA, cada um com características estruturais e funcionais próprias: RNA Ribossômico, RNA Transportador,e RNA Mensageiro.





Histonas

As histonas são pequenas proteínas básicas, ricas em lisina e arginina, e carregadas positivamente em pH fisiológico, às quais se associa a molécula do DNA nos eucariotos.
Suas cargas positivas, em associação com o cátion Mg++, facilitam esta ligação com o esqueleto negativo do DNA e estabilizam o conjunto. 






ATP

Adenosina trifosfato- moeda energética celular. Permite que a energia armazenada nas ligações com o fósforo seja liberada gradativamente, de acordo com o consumo, evitando assim, uma elevação de temperatura, prevenindo a combustão biológica. Pode acumular até três ligações com o fósforo.



Vitaminas 

São substâncias orgânicas de natureza química heterogênea. Elas atuam como coenzimas, ativando enzimas fundamentais no metabolismo dos seres vivos. Ao contrário dos carboidratos, dos lipídios e das proteínas, as vitaminas não têm função estrutural nem função energética; além disso, são exigidas pelo organismo em doses mínimas. Cada vitamina tem um papel biológico especifico; portanto, nenhuma vitamina pode substituir outra vitamina diferente. 

As vitaminas podem ser classificadas de acordo com a solubilidade em lipídios (lipossolúveis: A, D, E e K) ou em água (hidrossolúveis: C e Complexo B). Assim, temos:


Vitaminas
Principais Fontes
Carência no Organismo
Vitamina A
(Axeroftol ou retinol)
Leite e derivados, ovos, fígado, cenoura, laranja (os vegetais produzem o pigmento caroteno, que no corpo animal é transformado em vitamina A).
Hemeralopia (cegueira noturna) Xeroftalmina (secamento da córnea, membrana translúcida do olho).
Vitamina D (calciferol)
Óleo de fígado de bacalhau, leite e seus derivados, gema de ovo, fígado de vaca.
Raquitismo: (ossos frágeis, dentição defeituosa, crescimento retardado, má absorção de cálcio e fósforo).
Vitamina E (Tocoferol)
Verduras em geral, leite e seus derivados, ovos e grãos diversos (aveia, milho, feijão, entre outros.)
Esterilidade de machos e aborto em alguns animais.
Vitamina K
(Anti-hemorrágica)
Fígado e folhas vegetais (alface, couve, repolho, acelga, entre outros.)
Coagulação sanguínea deficiente; hemorragias.
Vitamina C (Acido ascórbico)
Frutas cítricas (laranja, limão), acerola, banana, manga, caju, rabanete, alface, pimentão, entre outros.
Escorbuto (hemorragias generalizadas, anemia, queda de dentes, intensa fraqueza).
Vitamina B1 (Tiamina)
Levedura de cerveja, fígado, ovos, trigo e arroz integral, frutas em geral, carnes e peixes.
Beribéri (fraqueza muscular, crescimento retardado e polineurite, isto é, inflamações generalizadas de nervos periféricos).
Vitamina B2 (Riboflavina)
Leveduras de cerveja, fígado, ovos, amendoim, leite e derivados, vagem, acelga, entre outros.
Quilose (irritação dos lábios)
Estomatite (inflamação da boca)
Fotofobia (intolerância a luz)
Vitamina B12 (Cianocobalamina)
Leveduras, leite e derivados, carnes e peixes.
Anemia perniciosa (presença de glóbulos vermelhos imaturos no sangue).
Vitamina PP (Niacina)
Leveduras, leite e derivados, carnes e fígado.
Pelagra (dermatite, diarréia e intenso nervosismo).


Referências:

CURTIS, H. Biologia Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1985.
DE ROBERTIS, E. D. P e DE ROBERTIS JR. E.M.F. Bases da Biologia Celular e Molecular. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
JUNQUEIRA, L. C Biologia Celular e Molecular. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

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