Para aqueles que são amantes da natureza...

"Este cerrado é um pouco como o nosso povo brasileiro. Frágil e forte. As árvores tortas, às vezes raquíticas, guardam fortalezas desconhecidas. Suas raízes vão procurar nas profundezas do solo a sua sobrevivência, resistindo ao fogo, à seca e ao próprio homem. E ainda, como nosso povo, encontra forças para seguir em frente apesar de tudo e até por causa de tudo"

Newton de Castro


Mostrando postagens com marcador Ciência e Tecnologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ciência e Tecnologia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mandioca nutritiva premiada


Variedade da planta mais produtiva e com alto teor de vitamina A recebe prêmio dado a pesquisas que contribuem para o bem-estar de populações em desenvolvimento.

Por: Fernanda Braune
Publicado em 27/03/2012 | Atualizado em 27/03/2012
Mandioca nutritiva premiada
A mandioca IAC 576-70, mais conhecida como amarelinha, tem mais vitamina A que a tradicional, de coloração branca. Ela já é amplamente comercializada em São Paulo e está ganhando mercado no sul do país. (foto: Arquivo do IAC)
Uma pesquisa que deu origem a uma mandioca mais nutritiva e produtiva acaba de receber o Prêmio Péter Murányi de 2012, que recompensa trabalhos que contribuem para a melhoria de vida de populações em desenvolvimento. Criada no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a variedade já é amplamente cultivada em vários estados do Brasil e tem garantido o sustento de famílias de pequenos agricultores no campo e na periferia das cidades, além de ser uma fonte de renda extra para essas pessoas.
Essa mandioca, popularmente conhecida como amarelinha, é naturalmente rica em vitamina A, essencial aos seres humanos
Essa mandioca, chamada IAC 576-70 e popularmente conhecida como amarelinha, é naturalmente rica em vitamina A, essencial aos seres humanos. Essa vitamina combate os radicais livres e previne o envelhecimento, além de fazer bem aos cabelos e à pele. Sua falta em grau elevado no organismo pode provocar cegueira.
Segundo a engenheira agrônoma Teresa Losada Valle, uma das pesquisadoras envolvidas no desenvolvimento e difusão da nova variedade, embora a cegueira causada por carência de vitamina A não seja comum no Brasil, a população apresenta níveis desse composto abaixo do ideal.
A mandioca IAC 576-70 tem aproximadamente dez vezes mais vitamina A do que a mandioca tradicional, característica que lhe confere uma coloração amarela. “A nova variedade tem 230 unidades internacionais (UI) desse nutriente por 100 gramas de mandioca”, ressalta Valle. A dose diária recomendada de vitamina A é de 2.500 UI para mulheres e 5.000 UI para homens.
Além de ter um nível maior de vitamina A, a amarelinha é mais resistente a pragas e doenças e apresenta alta produção de raízes. A engenheira agrônoma enfatiza: “Nosso objetivo é desenvolver produtos com alto valor nutricional e bom desempenho agrícola”.
Cultivo de mandioca
Além de ter alto teor de vitamina A, a amarelinha é mais produtiva e resistente a pragas e doenças. (foto: Arquivo do IAC)

Melhoramento genético tradicional

As mandiocas desenvolvidas no IAC são obtidas por meio de métodos tradicionais de melhoramento genético, ou seja, cruzamento e seleção. “A gente cruza variedades diferentes e depois seleciona as plantas que apresentarem os melhores resultados”, explica Valle.
O trabalho de melhoramento genético da mandioca vem sendo feito desde 1935 no IAC, até que, em 1970, a variedade IAC 576-70 começou a ser produzida. As sementes chegaram ao mercado no fim dos anos 1980 e se difundiram na década de 1990. Hoje a variedade responde por quase todo o consumo de mandioca de São Paulo e está se expandindo no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
Inicialmente a mandioca IAC 576-70 foi distribuída a populações com baixa segurança alimentar. Esse trabalho, feito pelo IAC e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, também foi importante para a concessão do prêmio.
Por ser de fácil adaptação ao solo e às condições climáticas, a mandioca modificada tem garantido o sustento de famílias de agricultores
Primeiro, a planta modificada foi fornecida a pequenos agricultores que produzem mandioca de mesa e eles passaram a distribuí-la entre si. Posteriormente, com o auxílio de outras instituições, como igrejas e postos de saúde, ela foi dada a agricultores de subsistência da periferia urbana, o que permitiu aumentar a quantidade e a qualidade de sua alimentação.
Por ser de fácil adaptação ao solo e às condições climáticas, a mandioca modificada tem garantido o sustento dessas famílias de agricultores. “A produção excedente é comercializada, tornando-se uma fonte de renda”, completa Valle.
A pesquisadora, que vai receber os R$ 150 mil do prêmio em uma cerimônia em abril, destaca a importância da produção e do consumo de mandioca. “Até o século 20, ela era considerada a base alimentar da população, e hoje divide espaço com o feijão e o arroz no prato do brasileiro”, complementa.

Fernanda Braune
Ciência Hoje On-line

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pesquisa brasileira usa carrapicho para fazer creme antirrugas.


Extratos naturais também são usados para proteger contra o sol. 

Estudos levam a parcerias entre empresas e universidades públicas.

O Picão preto ou Bidens pilosa pertence a família Asteraceae.
O trabalho de pesquisadores brasileiros resultou na criação de produtos que funcionam como cosméticos e, ao mesmo tempo, protegem a pele de doenças crônicas.Essa planta é conhecida popularmente como "carrapicho", comum em todo o Brasil.
 Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, o professor Luiz Claudio Di Stasi encontrou propriedades em uma planta chamada picão-preto que servem para dar mais elasticidade à pele – e devem ser usadas na produção de um creme antirrugas.  É muito resistente, o que favorece o cultivo para o uso comercial. “Isso tudo faz parte de um processo pensando na viabilidade da ciência”, afirmou Maria Del Carmen Pereda, sócia da Chemyunion, empresa que fez a pesquisa em parceria com a Unesp. Foi ela quem coordenou esse estudo. 
O objetivo da pesquisa era buscar na natureza um efeito semelhante ao dos chamados "retinoides". Os retinoides são substâncias sintéticas que se ligam a receptores dentro das células e são usados em medicamentos para o tratamento de doenças de pele, como as acnes. 
Contudo, os retinoides têm efeitos colaterais. Como Pereda queria produzir cosméticos, tinha que eliminá-los – medicamentos podem ter efeitos colaterais, mas cosméticos não. “Era importante encontrar uma substância que fosse similar nos efeitos positivos, mas não nos negativos”, contou a pesquisadora. 
Quem recebeu a tarefa de encontrar uma planta que conseguisse fazer isso foi Di Stasi, pesquisador da Unesp. “Sem a ajuda dele, teria sido muito mais difícil chegar ao produto. Talvez tivéssemos encontrado outra planta que não fosse tão eficiente”, afirmou Pereda. 
Segundo a pesquisadora, esse estudo foi o primeiro a encontrar uma ação semelhante à dos retinoides em um produto natural. 
O produto aumentou a produção de colágeno e elastina, substâncias que mantêm a elasticidade da pele – e evitam as rugas. Além desse efeito, ele também ajudou a proteger o DNA das células da radiação do sol, o que previne contra possíveis tumores na pele. 
A equipe agora está escrevendo um artigo para apresentar os resultados em uma revista científica. O produto ainda não está disponível para o mercado – a Chemyunion não produz cosméticos, apenas fornece a matéria-prima, e ainda não há um acordo nesse sentido com nenhuma fábrica.
Protetor solar 
Na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, a pesquisadora Patrícia Maia Campos liderou outro estudo, que visava o desenvolvimento de um novo protetor solar. A ideia era fazer um produto mais leve, que não deixe a pele oleosa, de forma que seja mais confortável usar o filtro solar no dia-a-dia. 
O produto é feito com a mistura entre o filtro solar e extratos de Ginkgo biloba e algas vermelhas. O Ginkgo biloba protege as células da ação dos radicais livres, que são liberados em maior número quando a pessoa toma muito sol. Isso previne contra alterações cutâneas, que podem levar até ao câncer de pele. Já o extrato de algas vermelhas tem a propriedade de manter a pele mais bem hidratada. Isso também protege o órgão contra doenças, entre ela a dermatite atópica, que provoca lesões e coceira. Nos testes feitos até agora – com 40 voluntários, por um período de três meses –, a pele ganhou em elasticidade, além da proteção solar.
Picão-preto está sendo usado na produção de cosméticos (Foto: Chemyunion/Divulgação)
Picão-preto está sendo usado na produção decosméticos (Foto: Chemyunion/Divulgação

psoriasecura.blogspot.com

trilhadomato.blogspot.com


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Caramujo Africano


Caramujo pode disseminar doenças

Estudo brasileiro comprova que o caramujo-gigante-africano pode se infectar naturalmente por vermes que são transmitidos aos humanos por meio de alimentos mal lavados e podem causar grave infecção intestinal, meningite e até a morte.
Por: Júlia Faria
Publicado em 01/04/2010 | Atualizado em 01/04/2010
Caramujo pode disseminar doenças
caramujo-gigante-africano é hospedeiro intermediário de verme que causadoenças em humanos (foto: Iracy Lea Pecora).
caramujo-gigante-africano infectado por Angiostrongylus pode contribuir para a disseminação de duas doenças causadas por esse verme: a angiostrongilíase abdominal e a meningoencefalite eosinofílica. A comprovação foi obtida a partir de estudo feito em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp-São Vicente) e o Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte (MG).
A partir de estudos anteriores, os cientistas acreditavam que o Achatina fulica, nome científico do caramujo-gigante-africano, poderia ser contaminado pelo nematódeo Angiostrongylus apenas em laboratório. Entretanto, a bióloga Iracy Léa Pecora, da Unesp, analisou uma amostra de três mil animais, coletados em São Vicente (SP), e constatou que aproximadamente 10% estavam infectados pelo verme. “A quantidade ainda é baixa, mas indica que os caramujopodem estar naturalmente infectados”, diz.
Achatina fulica é um dos hospedeiros intermediários do Angiostrongylus, que, na forma adulta, vive no organismo de pequenos roedores, como ratos. “Após a reprodução dos vermes adultos, surgem larvas que são expelidas junto com as fezes do roedor. São essas larvas que infectam os caramujos”, explica Pecora.
O ser humano é um hospedeiro acidental do verme. A infecção acontece após comer alimentos mal lavados
O fato de se encontrar caramujos naturalmente infectados leva os pesquisadores a concluir que os roedores que perambulam pelos mesmos locais também estão infectados. O ser humano, por sua vez, é um hospedeiro acidental do verme. “A infecção acontece após comer alimentos mal lavados, já que o caramujo anda por verduras, onde deixa um muco contaminado”, completa.
A angiostrongilíase abdominal é transmitida pelo Angiostrongylus costaricensis, que se instala no intestino e pode levar à morte após a perfuração deste. Já o Angiostrongylus cantonensis se instala nas meninges e no cérebro, resultando em um quadro mais severo da meningite tradicional.
caramujo-gigante-africano é hermafrodita e pode pôr até 400 ovos por vez. Resistente, o animal prolifera com rapidez. Dias típicos de verão – com calor e chuva no fim da tarde – são os mais propícios para encontrar a espécie. São comuns os relatos de ambientes infestados pelo caramujo nessa época.
“A rápida proliferação do animal é uma ameaça ecológica. Ele come de tudo: plantas, papel, ração de animais e até lixo”, alerta Pecora. Segundo a pesquisadora, é preciso coletar, com luvas, os animais e quebrar suas conchas. “Em seguida, deve-se jogar cal e enterrar os bichos. Não é recomendado utilizar sal para matá-los, pois a substância prejudica o solo”, explica.

Júlia Faria
Ciência Hoje / RJ

Leia também:


Mais uma do cerrado

 
A 'P.Minensis' é a primeira de sua família reconhecida como carnívora. A planta é rara e só ocorre na Serra do Espinhaço, no cerrado mineiro. (foto: Caio Pereira)
Bonitinha, mas assassina
Aparentemente, uma delicada plantinha de flores lilases, mas, debaixo do solo em que nasce, a Philcoxi minensis esconde um segredo que só agora foi revelado por pesquisadores brasileiros, estadunidenses e australianos. Eles descobriram que a planta, do cerrado, é uma voraz carnívora: camufla folhas grudentas sob a areia para capturar e digerir vermes desavisados.
A curiosa planta, encontrada apenas nas manchas de areia branca da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, chamou a atenção dos biólogos por frequentemente ser vista com vermes nematoides – aqueles compridos e cilíndricos, como as lombrigas – presos em suas minúsculas folhas subterrâneas, de cerca de 1mm de diâmetro. 
O fato de os vermes serem encontrados já mortos e a presença da incomum folha subterrânea levaram os pesquisadores a pensar na hipótese de a planta ser carnívora, mesmo que nenhuma outra espécie da mesma família, que inclui mais de 2 mil vegetais, seja.
A curiosa planta é encontrada apenas nas manchas de areia branca da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais
Para verificar a ideia, eles ofereceram à planta um banquete especial: vermesCaenorhabditis elegans marcados com nitrogênio-15. Os vermes usados na experiência continham em seu organismo apenas esse isótopo do nitrogênio, passado a eles via alimentação exclusiva de bactérias cultivadas em meio enriquecido com a substância. 
Se a planta fosse mesmo carnívora, absorveria o nutriente. E foi isso que aconteceu. Análises das folhas comprovaram que a P. minenses digeriu os vermes e incorporou 5% do nitrogênio-15 presente nos animais, cerca de um dia após a refeição, e 15%, depois de dois dias.
Esquema alimentação
A 'P. Minensis' usa minúsculas folhas subterrâneas para capturar vermes neumatoides na areia. (fotos cedidas por Bruno Pereira)
 “A P. minensis é uma preciosidade”, diz o autor principal do estudo publicado na PNASdesta semana, o biólogo Rafael Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Nenhuma outra planta carnívora conhecida usa essa estratégia de posicionar folhas subterrâneas para se alimentar, além de a digestão de vermes ser mais comum em fungos que em plantas”, comenta Oliveira.
Oliveira: “Nenhuma outra planta carnívora conhecida usa essa estratégia para se alimentar”
Segundo o biólogo, a dieta da planta é uma adaptação ao meio em que vive, onde o solo é muito seco e carente de nutrientes como fósforo, potássio e nitrogênio. São os vermes que provêm essas substâncias à P. minensis.
Isto faz com que a planta seja uma das poucas a sobreviver nas areias brancas dos campos rupestres, lar das outras duas únicas espécies do mesmo gênero: a P. bahiensis e a P. goiasensis.
Estas são muito semelhantes à P. minensis e os pesquisadores acreditam que também sejam carnívoras. Por isso já começaram a busca por mostras para estudo no cerrado da Bahia e de Goiás, áreas de ocorrência das espécies.
“O cerrado é uma formação vegetal extremamente rica, única no mundo, e conhecemos um número limitado de espécies da região”, diz Oliveira. “Nosso estudo é mais um exemplo da importância de se estudar esse ecossistema tão diverso.”

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line