Para aqueles que são amantes da natureza...

"Este cerrado é um pouco como o nosso povo brasileiro. Frágil e forte. As árvores tortas, às vezes raquíticas, guardam fortalezas desconhecidas. Suas raízes vão procurar nas profundezas do solo a sua sobrevivência, resistindo ao fogo, à seca e ao próprio homem. E ainda, como nosso povo, encontra forças para seguir em frente apesar de tudo e até por causa de tudo"

Newton de Castro


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Lignina


A palavra lignina vem do latim lignum, que significa madeira. Trata-se de um dos principais componentes dos tecidos de gimnospermas e angiospermas, ocorrendo em vegetais e tecidos vasculares. Sabe-se que a lignina tem um importante papel no transporte de água, nutrientes e metabólitos, sendo responsável pela resistência mecânica de vegetais, além de proteger os tecidos contra o ataque de microrganismos. Fungos, liquens algas e vegetais inferiores (Briófitas) não são lignificados (FENGEL & WEGENER, 1984). 

Em estudos realizados há aproximadamente 150 anos, foi possível verificar o interesse científico e econômico sobre a lignina, concluindo-se que a lignina é uma substância amorfa, de natureza aromática e muito complexa, e faz parte da parede celular e da lamela média dos vegetais. Apesar de todos os estudos realizados até hoje sobre lignina, muitos pontos, relativos principalmente à sua estrutura, permanecem em dúvida. Isto decorre da grande diversidade da estrutura das ligninas quando se passa de uma espécie vegetal para outra ou, até mesmo, dentro da mesma espécie, quando são analisadas partes diferentes do vegetal. Pode-se observar em eucaliptos cultivados na Europa ou no Brasil diferenças na constituição de suas ligninas, devidas, principalmente, às diferentes condições de solo e de clima. 

A lignina é um polímero de constituição difícil de ser estabelecida, por causa não somente da complexidade de sua formação, baseada em unidades fenilpropanóides interligadas por diferentes tipos de ligações, como também porque sofre modificações estruturais durante seu isolamento das paredes celulares (MORAIS 1987, 1992). 

Trabalho completo pode ser lido em: 

LIGNINAS – MÉTODOS DE OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA

Outros trabalhos:

1. Notas de aula: Química da madeira - lignina

2. Boletim de pesquisa e desenvolvimento - Embrapa Cerrados: definição e caracterização da lignina na p. 8.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Pastos ou Plastídeos- imagens

Cloroplastos

Secções transversais do pericarpo de Capsicum annuum (clorofilas)

Secções transversais da folha de Sansevieria trifasciata (clorofilas)

Cromoplastos


Secções transversais do pericarpo de Capsicum annuum
(xantofilas/carotenos)



Leucoplastos


Amiloplastos em batata (Solanum tuberosum)



Oleoplastos em Glycine max


Responda:

 

a) Qual a natureza (hidrossolúveis ou lipossolúveis) dos pigmentos presentes nos cromoplastos?

b) Qual a função desses pigmentos? Descreva cada caso.


domingo, 12 de abril de 2020

Roteiro de Aula Prática 2: Observação de Plastos ou Plastídeos

1. Introdução:
Plastos ou plastídio provavelmente é a melhor denominação usada para descrever organelas típicas de células vegetais, uma vez que o nome indica a plasticidade tanto da estrutura quanto de função. São organelas delimitadas por duas membranas e contém DNA e ribossomos, tem capacidade de auto-replicação e apresentam parte da maquinaria genética e consideradas organelas semi-autonôma. Os plastídios não-pigmentados ou leucoplastos são conhecidos os amiloplastos (amido), oleoplastos (lipídios) e os proteoplastos (proteínas). Eles caracterizam-se pela ausência de pigmentos e por armazenar substâncias de reserva.
Cromoplastos são plastídios pigmentados que acumulam carotenóides. Eles conferem coloração vermelha, amarela e alaranjada a muitas flores e folhas velhas, alguns frutos e algumas raízes. Sua função precisa não é bem conhecida, embora eles comumente sejam associados à atração de animais polinizadores ou dispersores de sementes. Participam da fotossíntese como pigmentos auxiliares.
Os cloroplastos são plastídios pigmentados, cujo pigmento predominante é a clorofila, e que ocorrem principalmente em folhas, frutos e caules jovens, nos tecidos expostos à luz. Estão envolvidos nas reações energéticas dentro da célula como na fotossíntese e na formação de amido temporário, síntese de lipídeos e atividade nitrato-redutase.

2. Objetivos: Reconhecer os cromoplastos e leucoplastos.
Confirmar a presença de amido nos amiloplastos através do teste do lugol.

domingo, 5 de abril de 2020

Aula prática 01 - Parece Celular

1. Introdução:

A parede celular está presente em todas as células vegetais, sendo uma das características que diferencia a célula animal da célula vegetal. O principal componente dessa parede é a celulose podendo se distinguir três camadas: lamela média (pectatos em uma camada cimentante), parede primária (proteínas e celulose) e parede secundária (lignina). Células vizinhas comunicam entre si através de poros na parede celular chamados de campos primários de pontoações (apenas na parede primária) ou pontoações (parede secundária).

2. Objetivos: Reconhecer a parede celular e visualizar as pontoações.

3. Materiais:

4. Procedimento:

Material 1

a) Faça cortes paradérmico em Sansevieria ssp. (Espada de São Jorge) e coloque água destilada.

b) Core com safrablau para observação de paredes celulares e monte em água destilada. Observe e registre.

Material 2

a) Destaque a epiderme de Licopersicum esculentum (pele de tomate) em cortes paradérmicos com lâmina de aço;

b) Coloque em placa de Petri com água destilada e em seguida monte a lâmina. Observe, esquematize a célula evidenciando a parede celular e as pontoações visualizadas.

5. Resultados e discussão 

a) Estas células apresentam paredes finas ou espessas? Por quê?

b) O que foi observado na parede celular nas duas espécies? Descreva.


Conteúdo:  

http://katyabotanica.blogspot.com/2015/03/celula-vegetal-parede-celular-e.html

Vídeos:

Visualização da parede celular em microfotografias:
Observar a imagens selecionadas abaixo identificando pontoações e plasmodesmos:





domingo, 3 de abril de 2016

Caracterização morfo-anatômica Maranta arundinacea L.1

Danúbio Deikti Rodrigues2, Daiane Aline Carard2, Haiany Dias2, Márcio Barbosa M. Filho2, Kátya B. A. Smiljanic3
1 Trabalho financiado com recursos da UNIFIMES.
2 Acadêmicos do curso de Agronomia do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Rua 22, s/nº - Setor Aeroporto – Cx. P. 104 – Mineiros/GO – CEP 75830-000
3 Professora assistente do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Rua 22, s/nº - Setor Aeroporto – Cx. P. 104 – Mineiros/GO – CEP 75830-000. katia@fimes.edu.br.

RESUMO: Este trabalho teve por objetivo descrever a morfoanatomiade Maranta arundinacea como contribuição para a taxonomia e sistemática da família Marantaceae.O material botânico foi coletado no banco de multiplicação de hortaliças não-convencionais na Fazenda Experimental Prof. Luiz Eduardo de Oliveira Sales –FELEOS, Centro Universitário de Mineiros – GO, fixado em F.A.A. (50%), estocado em etanol (70%). Os cortes transversais e paradérmicos foram feitos com lâmina de aço, imersos em uma solução de Hipoclorito de Sódio, lavados em álcool e água destilada e corados com Azul de Astra (1%) e Safranina (1%), e em seguida comporam  lâminas semi-permanentes. Maranta arundinaceae apresentou epiderme unisseriada com paredes anticlinais retas, cutícula espessa, estômatosparacíticos. O mesofilo é dorsiventral e anfiestomático. Os feixes vasculares são colaterais, fibras em volta de todo o feixe vascular além de fibras extraxilemáticas, caule do tipo rizoma.Estruturação anatômica da lâmina foliar observada foi semelhante a outras espécies da família Marantaceae.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia vegetal. Botânica ecológica. Botânica estrutural.Marantaceae.

INTRODUÇÃO
A espécie Maranta arundinacea é conhecida popularmente como araruta, e pertence à classe monocotyledonae, subclasse Commelinidae, ordem Zingiberales, família Marantaceae (JUDD, 2007). Marantaceae é uma família que inclui 550 espécies distribuídas em 32 gêneros, sendo que no Brasil ocorrem 12 gêneros e 150 espécies. Calanthea é um dos principais gêneros nativos, principalmente nas regiões florestais, e em segundo lugar é o gênero Maranta que predomina na região central do país (SOUZA, 2008). M. arundinacea é uma planta herbácea, perene, possui rizoma, folhas alternas dísticas. As inflorescências são formadas por flores bissexuadas, vistosas e gamopétalas, ovário ínfero. O fruto é do tipo cápsula, sementes com arilo(SOUZA, 2008). Forma um intrincado complexo de pequenos caules rizomatosos no sistema radicular. Dessas estruturas extrai-se uma fécula que pode ser utilizada por celíacos, pessoas com restrições alimentares ao glúten (doença celíaca). Por sua leveza incomparável, os biscoitos derretem na boca, também é tradicional o mingau de araruta, especialmente recomendado para crianças e idosos (MAPA, 2010).É uma planta bastante tolerante a pragas e doenças, sendo seus rizomas suscetíveis a nematóides do gênero  Meloidogyne que podem causar pequenos danos (MAPA, 2010).Este trabalho teve por objetivo descrever a morfoanatomia da espécie M. arundinacea como contribuição para a taxonomia e sistemática da família Marantaceae.

MATERIAL E MÉTODOS

O material botânico foi coletado no banco de multiplicação de hortaliças não-convencionais na Fazenda Experimental Prof. Luiz Eduardo de Oliveira Sales–FELEOS, Centro Universitário de Mineiros – GO.Para caracterização anatômica, folhas totalmente expandidas foram colhidas aleatoriamente e em seguida, fixadas em F.A.A. (50%) e posteriormente estocadas em etanol (70%) (JOHANSEN, 1940). A folha foi cortada transversalmente por meio de uma lâmina de açona porção mediana, borda da lâmina foliar e pecíolo para análise estrutural dos tecidos. Cortes paradérmicos foram feitos para visualização dos estômatos, tricomas e outras estruturas epidérmicas. Cada corte foi imerso em uma solução de Hipoclorito de Sódio comercial até a sua total descoloração, sendo imediatamente lavados em álcool e água destilada. Por fim, as secções passaram por uma sequência de corantes, Azul de Astra (1%) e Safranina (1%), (JOHANSEN, 1940) e a partir de então, vieram a compor lâminas semi-permanentes. As observações e documentações fotográficas foram feitas em um microscópio fotônico do Laboratório de Microscopia do Centro Universitário de Mineiros - UNIFIMES. Os resultados encontrados, meramente descritivos, foram discutidos e comparados à estudos similares feitos com plantas afins.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Maranta arundinacea é uma planta herbácea e subarbustiva, com folhas alternadas e dísticas, pecioladas, longas bainhas foliáceas, ovais-lanceoladas, acuminadas com limbo de 10-20 cm de comprimento e 5-8 cm de largura em média, possui um pulvino bastante proeminente e nervuras paralelinérveas.O pulvino permite movimentos em que as folhas se colocam fechadas e eretas ao entardecer.Forma rizomas que são caules subterrâneos que crescem horizontalmente sob o solo e que emitem raízes, folhas e ramos a partir de seus nós. Na araruta, os rizomas são fusiformes, muito fibrosos, de coloração branca, com entrenós curtos e bem definidos em leves depressões, presença de escamas muito finas que se soltam com facilidade e acumulam amido que formam as reservas para o desenvolvimento de uma nova planta. Cresce formando touceiras que podem chegar a 1,2 m de altura. As flores são pequenas, brancas, e podem ser solitárias ou em conjunto de 3 ou 4 dispostas em panículas terminais, protegidas por brácteas invaginantes. A descrição morfologia para a araruta está de acordo com a de Souza (2008). A análise anatômica encontrou epiderme foliar unisseriada, paredes anticlinais relativamente retas, tanto na face adaxial quanto abaxial. A cutícula é espessa e os estômatos são paracíticos presentes em ambas as faces (folha anfietomática). A cutícula é considerada como uma estrutura de resistência aos patógenos e aos insetos e deve ser analisada com prudência, pois a sua eficiência como barreira física depende da quantidade e qualidade da composição química desta estrutura, além das características do agente de inter-relação (SILVA et al, 2005). Os patógenos podem depender ou não de pressão mecânica para entrar na planta hospedeira e a cutícula possui regiões descontínuas como em células secretoras de tricomas glandulares, em papilas de certas flores e até mesmo poros (CUTTER, 1986).Foi observada a presença de parênquima aquífero na epiderme adaxial da lamina foliar. Essas células são especializadas no acumulo de água, característica esta, entendida como estratégia para evitar o estresse hídrico. No corte transversal do pecíolo foram observadas cavidades formadas por aerênquimas sustentadas internamente por parênquimas braciformes, como relatado para a espécie pertencente à mesma família(SANTOS;PUGIALLI, 1999). A folha é dorsiventral com uma camada de parênquima paliçádico e uma de parênquima lacunoso que de acordo com Appezzato e Carmelo (2003) são caracteres mesofítico. Os feixes vasculares são colaterais de médio e pequeno porte envolvidos por fibras fortemente espessadas além de apresentar feixes de fibras extraxilematicas, vistas em corte transversal, próximos à epiderme abaxial. Foram visualizados em células parenquimáticas pontoações, canais que tem por objetivo, a comunicação entre células adjacentes.

CONCLUSÃO

Maranta arundinacea apresentou caule rizomatoso, de coloração branca, com entrenós curtos e bem definidos em leves depressões, recobertos por escamas finas, epiderme unisseriada com paredes anticlinais retas, cutícula espessa, estômatos paracíticos. O mesofilo é dorsiventral, anfiestomático, com feixes vasculares colaterais e fibras que envolvem todo o feixe vascular, fibras extraxilematicas; presença de pontoações em células de parênquima, além de cavidades (aerênquimas), e parênquima aquífero.


Figura 1. Corte paradérmico da lâmina foliar de Maranta arundinacea mostrando estômatos paracíticos (face abaxial).


Figura 2. Corte transversal do pecíolo foram observadas cavidades formadas por aerênquimas sustentadas internamente por parênquimas braciformes.


 Figura 3. Feixe vascular colateral.



Figura 4. Corte transversal da lâmina foliar mostrando estômato.


 Figura 5. Corte transversal do pecíolo.


  Figura 6. Rizoma de Maranta arundinacea.


Abreviações 

Es - estômatos; Cv – cavidade; Pa – parênquima; Flv – floema; Xl – xilema; Pp – parênquima paliçádico; Pl – parênquima lacunoso; Fb – fibras; Cl – colênquima; Ep – epiderme.



REFERÊNCIAS

APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B.; CARMELLO-GUERREIRO, S. M. Anatomia Vegetal. Viçosa: UFV, 2003. 438.
MAPA.Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.Manual de hortaliças não-convencionais / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. – Brasília: Mapa/ACS, 2010.92 p.
CUTTER, E. Anatomia vegetal: Parte I - Células e tecidos. 2º ed. São Paulo: Roca, 1986.
JOHANSEN, D. A.  Plant microtechnique. New York: McGraw-Hill BookCo.Inc., 1940. 523p.
JUDD, W.S., CAMPBELL, C.S., KELLOGG, E.A., STEVENS, P.F.; DONOGHUE, M.J. . Plant Systematics: A phylogenetic approach.3rd Edition.Sinauer Associates, Sunderland, Massachusetts, USA. 2007.
SANTOS, A. do E.; PUGIALLI, H. R. L. Estudo da plasticidade anatômica foliar de Stromanthe
thalia (Vell.) J.M.A. Braga (Marantaceae) em dois ambientes de mata atlântica. Rodriguésia 50(76/77): 109-124. 1999.
SILVA, L.M.; ALQUINI, Y.; CAVALLET, V.J. Inter-relações entre a anatomia vegetal e a produção vegetal. Acta. Bot. Bras. 19(1): 183-194. 2005.
Souza, V.C.. Botânica Sistemática: Guia ilustrado para identificação das famílias de Fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG II/ Vinicius Castro Souza, HarriLorenzi. 2º ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008.


Caracterização morfoanatômica de Portulaca oleracea L.1

Emanuel Barcelos Carneiro2, Kátya B. A. Smiljanic3
1Trabalho financiado com recursos da UNIFIMES
2Acadêmico do curso de Agronomia do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), bolsista do programa de iniciação científica. Rua 22, s/nº - Setor Aeroporto – Cx. P. 104 – Mineiros/GO – CEP 75830-000
3Professora assistente do Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Rua 22, s/nº - Setor Aeroporto – Cx. P. 104 – Mineiros/GO – CEP 75830-000. katia@fimes.edu.br.

RESUMO: Este trabalho teve por objetivo descrever a morfoanatomia de Portulaca oleracea como contribuição para a taxonomia e sistemática da família Portulacaceae. O material botânico foi coletado no banco de multiplicação de hortaliças não-convencionais na Fazenda Experimental Prof. Luiz Eduardo de Oliveira Sales–FELEOS, Centro Universitário de Mineiros – GO, fixado em F.A.A. (50%),estocado em etanol (70%). Os cortes transversais e paradérmicos foram feitos com lâmina de aço, imersos em uma solução de Hipoclorito de Sódio, lavados em álcool e água destilada e coradoscom Azul de Astra (1%) e Safranina (1%), e em seguida comporam lâminas semi-permanentes.P. oleracea apresentou caule prostrado, ramificado, folhas simples, alternadas, glabras, espatuladas com margem inteira. Inflorescência com 2-6 flores de coloração amarela que abrem apenas em pleno sol. A epiderme é unisseriada, estômatos paracíticos, folha anfiestomáticas. Mesofilo com mucilagem, feixes vasculares são colaterais e presente anatomia Kranz. Epiderme do caule contendo antocianina e a raiz é poliarca. Em todos os órgãos foram visualizados cristais do tipo drusas.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia vegetal. Botânica ecológica. Botânica estrutural. Portulacaceae.

INTRODUÇÃO
P. oleracea é uma angiosperma da classe das Eudicotiledôneas, ordem Caryophyllales, família Portulacaceae apresenta cerca de 20 gêneros e 500 espécies (JUDD, 2007). São plantas herbáceas com caule geralmente prostrado, com ramificação dicotômica, folhas subsésseis, espatulada, nervura central evidente; base atenuada; ápice arredondado a obtuso; margem inteira; glabras; Inflorescência com 2-6 flores. Flores sésseis, botões florais achatados lateralmente; pétalas amarelas, brancas ou rosa; pixídio séssil, com cerca de 20-30 sementes negras ou opacas por fruto(COELHO;GIULIETTI, 2010). É muito prolífica, podendo produzir 10.000 sementes por plantaque se mantém dormentes no solo por mais de 19 anos, germinando o ano todo e emergindo de uma profundidade máxima de 5 cm. Quando em presença de pouca luz apresenta crescimento ereto em vez deprostrado (MAPA, 2010). Conhecida como beldroega, é uma planta cosmopolita, apresenta potencial medicinal e considerada como “daninha” comum em todo Brasil; infesta solos cultivados, pomares, jardins, hortas, viveiros e cafezais; prefere solos ricos em matéria orgânica, onde é indicadora de bom padrão de fertilidade do solo (MAPA, 2010). É considerada uma hortaliça não convencional, rica em vitaminas e fibras, é consumida em algumas regiões do Brasil na forma de salada e de refogado. Este trabalho teve por objetivo descrever a morfoanatomia da espécie P. oleracea como contribuição para a taxonomia e sistemática da família Portulacaceae.

MATERIAL E MÉTODOS

O material botânico foi coletado no banco de multiplicação de hortaliças não-convencionais na Fazenda Experimental Prof. Luiz Eduardo de Oliveira Sales–FELEOS, Centro Universitário de Mineiros - GO. Para caracterização anatômica, folhas totalmente expandidas foram colhidas aleatoriamente e em seguida, fixadas em F.A.A. (50%) e posteriormente estocadas em etanol (70%) (JOHANSEN, 1940). A folha foi cortada transversalmente por meio de uma lâmina de açona porção mediana, borda da lâmina foliar e pecíolo para análise estrutural dos tecidos e cortes paradérmicos foram feitos para visualização dos estômatos, tricomas e outras estruturas epidérmicas. Cada corte foi imerso em uma solução de Hipoclorito de Sódio comercial até a sua total descoloração, sendo imediatamente lavados em álcool e água destilada. Por fim, as secções passaram poruma sequência de corantes, Azul de Astra (1%) e Safranina (1%), (JOHANSEN, 1940) e a partir de então, vieram a compor lâminas semi permanentes. As observações e documentações fotográficas foram feitas em um microscópio fotônicodo Laboratório de Microscopia do Centro Universitário de Mineiros - UNIFIMES. Os resultados encontrados, meramente descritivos, foram discutidos e comparados à estudos similares feitos com plantas afins.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

P. oleracea é uma plantas medicinal listadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das mais utilizadas é conhecida popularmente no Brasil como beldroega, salada-de-negro, caaponga, porcelana, brepo-de-porco, verdolaga, beldroega-pequena, beldroega-vermelha, beldroega-da-horta e onze-horas (LORENZI; MATOS, 2008). A parte aérea é consumida na forma de salada e de refogado. É considerada sudorífica, anti-inflamatório, diurética, vermífuga, antipirética e antibacteriana, sendo empregada internamente contra disenteria, enterite aguda, mastite e hemorróidas. As folhas são indicadas também contra cistite, hemoptise, cólicas renais, queimaduras e úlceras. As sementes são consideradas emenagoga, diurética e anti-helmíntica. A infusão de suas folhas e ramos é tônica e depurativa do sangue, enquanto que em uso externo aplicadas sobre feridas favorecem a cicatrização. Além disso, a planta é fonte rica de ácido graxo ômega-3, substância importante na prevenção de infartos e no fortalecimento do sistema imunológico (LORENZI; MATOS, 2008).Em relação a atividade antibacteriana, o uso da planta pode representar uma alternativa aos antissépticos e desinfetantes sintéticos convencionais. Mangoba (2015) demonstrou em estudos preliminares que extratos etanólicos de beldroega à 50%foram eficazes como inibidores de atividade antibacteriana correlacionadas a polifenóis totais e antocianinas. A planta como alimento apresenta moderado potencial antioxidante pela presença de polifenóis totais e vários minerais destacando o ferro e o potássio (MANGOBA, 2015).Os exemplares coletados para estudo no banco de multiplicação de hortaliças não-convencionais na Fazenda Experimental Prof. Luiz Eduardo de Oliveira Sales - FELEOS, Centro Universitário de Mineiros – GO, apresentaram caule prostrado, com ramificação dicotômica que crescem para todos os lados atingindo até 40 cm, coloração arroxeada no lado iluminado, carnosos, cilíndricos e glabros. As folhas são simples, alternadas, espatulada, nervura central evidente; base atenuada; ápice arredondado a obtuso; margem inteira; glabras de coloração verde brilhante. Inflorescência com 2-6 flores de coloração amarela que abrem apenas em pleno sol. As características encontradas são similares as descritas por Coelho e Giulietti (2010). Quanto a descrição anatômica a beldroega apresentou epiderme unisseriada com presença de estômatos paracíticos (estômato acompanhado em ambos os lados por uma ou mais células subsidiárias paralelas ao eixo longitudinal) nas faces adaxial e abaxial (folha anfiestomática). As células epidêmicas mostraram paredes anticlinais sinuosas nas duas faces. Presença de mucilagem em tecido parenquimático que forma o mesofilo. Os feixes vasculares são colaterais com presença de duas bainhas circundante, uma parenquimática e outra disposta radialmente (Anatomia Kranz), rica em cloroplastos e cristais do tipo drusas. A presença de uma segunda bainha ao redor do feixe vascular disposta radialmente na folha indica que a planta faz fotossíntese via C4, onde o carbono do CO2 atmosférico é fixado em uma substância com quatro carbonos. Não foi observada a presença de fibras nos feixes vasculares da lâmina foliar. No caule foram vistas células epidérmicas unisseriadas contendo antocianina unilateralmente o que corresponde com o lado iluminado. De acordo com Close e Beadle (2003), as antocianinas estão amplamente distribuídas nas células do mesofilo de muitas espécies de vegetais e absorvem comprimentos de onda de luz na faixa de 400 a 600 nm. Isto sugere que as antocianinas agem como filtros da luz visível (fotoproteção) quando folhas são expostas a condições de alta intensidade luminosa (Close; Beadle, 2003).Presença de 1-2 camadas de colênquima angular abaixo da epiderme e parênquima cortical com muitos espaços intercelulares. A raiz é poliarca e delimitada por periderme pouco desenvolvida. Em todos os órgãos foram visualizados cristais do tipo drusas. Os cristais de oxalato de cálcio apresentam-se frequentementena forma de monocristais, drusas, ráfides e areias cristalinas (APPEZZATO-DA-GLÓRIA; CARMELLO-GUERREIRO, 2006) e a sua presença pode estar relacionada a uma adaptação dos vegetais contra herbivoria, balanço iônico e ao desenvolvimento do tubo polínico, servindo como fonte para a formação desta estrutura, visto que o crescimento deste requer gradientes intracelulares de cálcio (MESSERLI et al. 2000; HOLDAWAY-CLARKE et al., 2003). 

CONCLUSÃO

P. oleracea apresentou caule prostrado, ramificado, folhas simples, alternadas, glabras, espatuladas com margem inteira. Inflorescência com 2-6 flores de coloração amarela que abrem apenas em pleno sol. A epiderme é unisseriada, estômatos paracíticos, folha anfiestomáticas. Mesofilo com mucilagem, feixes vasculares são colaterais e presente anatomia Kranz. Epiderme do caule contendo antocianina e a raiz é poliarca. Em todos os órgãos foram visualizados cristais do tipo drusas.



Figura 1. Corte paradérmico da lâmina foliar mostrando estômatos paracíticos (face abaxial); Figura 2. Estômato em corte transversal com grande cavidade subestomática; Figura 3. Cristal de sais de cálcio em formato de drusa; Figura 4. Corte transversal da lâmina foliar mostrando feixe vascular envolto por bainha amilífera e perivascular (Anatomia kranz); Figura 5. Corte transversal do caule expondo elementos de vasos (xilema); Figura 6. Corte transversal em raiz evidenciando os elementos de vasos; Figura 7. P. oleracea.


Abreviações 
Es - estômatos; Cse – cavidade subestomática; Pa – parênquima; Fv – feixe vascular; Dr – drusas; Ba – bainha amilífera; Bp – bainha perivascular; Ev – elemento de vaso.



REFERÊNCIAS


APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B.; CARMELLO-GUERREIRO, S. M. Anatomia Vegetal. Viçosa: UFV, 2006. 438.
COELHO, A. A. de O. P.; GIULIETTI, A. M. O gênero Portulaca L. (Portulacaceae) no Brasil. Acta Bot. Bras. [online]. 2010, vol.24, n.3, pp. 655-670.
CLOSE, D.C.; BEADLE, C.L.The Ecophysiology of Foliar Anthocyanin. The Botanical Review, 69: 149–161, 2003.
HOLDAWAY-CLARKE, T.L.; WEDDLE, N.M.; KIM, S.; ROBIA, A.; PARRIS, C.; KUNKEL, J.G. & HEPLER, P.K. Effect of extracellular calcium, pH and borate on growth oscillations in Liliumformosanum pollen tubes. Journal of Experimental Botany, 54: 65-72, 2003.
JOHANSEN, D. A.  Plant microtechnique. New York: McGraw-Hill BookCo.Inc., 1940. 523p.
JUDD, W.S., CAMPBELL, C.S., KELLOGG, E.A., STEVENS, P.F.; DONOGHUE, M.J. . Plant Systematics: A phylogenetic approach.3rd Edition.Sinauer Associates, Sunderland, Massachusetts, USA. 2007.
LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2 ed. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2008. 576p.
MANGOBA, P. M.A. Prospecção de características fitoquímicas, antibacterianas e físico-químicas de Portulacaoleracea L. (Beldroega). Dissertação de mestrado. UFRGS, Porto Alegre, 2015.
MAPA.Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.Manual de hortaliças não-convencionais / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo. – Brasília: Mapa/ACS, 2010.92 p.
MESSERLI, M.A; CRETON, R..; JAFFE, L.F.; ROBINSON, K.R. Periodic Increases in elongation rate precede increase in cytosolic Ca2+ during pollen tube growth . Developmental Biology, 222: 84-98, 2000. 


domingo, 14 de junho de 2015

Organização primária e secundária do caule.

O caule serve de suporte mecânico para as folhas e para as estruturas de reprodução do vegetal, sendo também responsável pela condução de água e sais das raízes para as partes aéreas e das substâncias aí produzidas, para as demais regiões da planta, estabelecendo assim, a conexão entre todos os órgãos do vegetal. Além dessas funções básicas, alguns caules acumulam reservas ou água ou atuam como estruturas de propagação vegetativa. 
O caule origina-se do epicótilo do embrião. O embrião totalmente desenvolvido consiste de um eixo hipocótilo-radicular, que apresenta em sua porção superior um ou mais cotilédones e um primórdio de gema. Esse primórdio de gema pode ser um grupo de células indiferenciadas, ou apresentar-se mais diferenciado, com uma porção caulinar, o epicótilo, formando um pequeno eixo, nós e entrenós curtos, portando um ou mais primórdios de folhas. Todo esse conjunto é denominado plúmula ou gêmula.





Esquemas das sementes de Phaseolus sp e Ricinus communis.



Durante a germinação da semente, o meristema apical continua o seu desenvolvimento, promovendo o crescimento do eixo caulinar e a adição de novas folhas. Nas plantas que apresentam o caule ramificado, são formadas as gemas axilares que posteriormente, desenvolvem-se em ramos laterais.



Estrutura primária



O caule, tal qual a raiz, é constituído pelos três sistemas de tecidos: o sistema dérmico, o sistema fundamental e o sistema vascular. As variações observadas na estrutura primária do caule das diferentes espécies e nos grandes grupos vegetais está relacionada principalmente, com a distribuição relativa do tecido fundamental e dos tecidos vasculares.

Nas coníferas e dicotiledôneas, o sistema vascular, geralmente, aparece como um cilindro ôco, delimitando uma região interna a medula, e uma região externa, o córtex. Nas monocotiledôneas, o arranjo mais comum é os feixes vasculares apresentarem uma distribuição caótica por todo o caule.

Esquema do caule mostrando a posição dos meristemas primários e os tecidos primários deles derivados.http://www.ualr.edu/botany/planttissues.html


Epiderme

A epiderme caulinar, derivada da protoderme, geralmente é unisseriada, formada de células de paredes cutinizadas e revestida pela cutícula. Nas monocotiledôneas, que não apresentam crescimento secundário, as células da epiderme podem desenvolver paredes secundárias, lignificadas.
Nas regiões jovens do vegetal a epiderme do caule possui estômatos, mas em menor número que o observado nas folhas, podendo ainda apresentar tricomas tectores e glandulares. A epiderme é um tecido vivo e pode, eventualmente, apresentar atividade mitótica, uma característica importante, tendo em vista as pressões às quais o caule vai sendo submetido durante o seu crescimento primário e/ou secundário. Assim a epiderme responde a essas pressões, com divisões anticlinais de suas células, o que leva à distensão tangencial do tecido, principalmente, naquelas espécies que formam periderme apenas tardiamente.

Córtex

O córtex do caule em estrutura primária, geralmente, apresenta parênquima clorofilado. Na periferia, frequentemente, apresenta colênquima como tecido de sustentação, que pode aparecer em camadas mais ou menos contínuas ou em cordões, nas arestas ou saliências do órgão. Em algumas plantas, especialmente entre as gramíneas é o esclerênquima que se desenvolve como tecido de sustentação sob a epiderme.
A camada interna do córtex é a endoderme, como na raiz. No entanto, no caule, a delimitação entre o córtex e o cilindro vascular não é tão facilmente visualizada, uma vez que nem sempre, a endoderme caulinar apresenta-se morfologicamente diferenciada. Nos caules jovens de algumas espécies herbáceas, como por exemplo, em Ricinus sp (mamona), as células da camada cortical interna podem acumular amido em abundância, sendo então reconhecidas como bainha amilífera. Algumas dicotiledôneas, entretanto, desenvolvem estrias de Caspary, na endoderme caulinar, como o visto na raiz, e em outras espécies, além das estrias nas paredes, verifica-se amido no interior dessas células. Quando a endoderme não apresenta, nenhuma característica especial (amido ou espessamentos de parede) a delimitação entre o córtex e o cilindro vascular fica mais difícil, ou mesmo, impossível de ser feita. Mesmo nesses casos no entanto, existe sempre um limite fisiológico entre o córtex e o sistema vascular, estando ou não, este limite associado à uma especialização morfológica.



Ricinus communis. Corte do caule de evidenciando a bainha amilífera. 
Foto de Castro, N. M. 


Detalhe do corte evidenciando a bainha amilífera. 
Foto de Castro, N. M.

Medula

A porção interna do caule – medula, comumente, é parenquimática. Em algumas espécies, a região central da medula vai sendo destruída durante o crescimento, constituindo os chamados caules fistulosos. Quando isto acontece, esta destruição limita-se apenas aos entrenós do caule, enquanto, os nós conservam a medula formando os diafragmas nodais.
Tanto o parênquima medular, quanto o cortical apresentam espaços intercelulares. Esse parênquima pode apresentar vários ibioblastos, especialmente células contendo cristais ou outras substâncias ergásticas, além de esclereídes. 
Se a espécie apresenta laticíferos, (estruturas secretoras de látex) eles podem estar presentes tanto no córtex como na medula.

Sistema Vascular

O periciclo é a região externa do cilindro vascular, e pode ser constituído de uma ou mais camadas de parênquima. No caule, o periciclo nem sempre é facilmente visualizado, como na raiz, no entanto, ele sempre está presente logo abaixo da endoderme.
Os tecidos vasculares do caule, ao contrário do observado nas raízes, formam unidades denominadas feixes vasculares. 
O sistema vascular, geralmente, aparece como um cilindro ôco entre o córtex e a medula, podendo no entanto, assumir padrões mais complexos. Em algumas espécies, os feixes vasculares aparecem bem próximos um dos outros e o cilindro vascular aparece contínuo mas, freqüentemente, é constituído de feixes separados uns dos outros pelo parênquima interfascicular, os denominados raios medulares.
A posição ocupada pelo xilema e pelo floema nos feixes vasculares também é bastante variada, mas o tipo mais comum de feixe é o denominado colateral, com floema voltado para a periferia do órgão e o xilema para o centro. Em muitas famílias de dicotiledôneas, como por exemplo entre as Cucurbitaceae (Cucurbita pepo - abóbora), o floema aparece tanto externamente, como internamente ao xilema, esses feixes contendo floema dos dois lados do xilema são denominados bicolaterais.
Os feixes onde um dos tecidos vasculares envolve o outro completamente são denominados concêntricos. Quando o floema envolve o xilema, o feixe é dito anficrival, este tipo é comum entre as pteridófitas; sendo considerado um tipo bastante primitivo. Quando o xilema que aparece envolvendo o floema, o feixe é denominado anfivasal. Os feixes anfivasais são comuns entre as monocotiledôneas. Este último, é considerado um tipo derivado de feixe vascular. Entre algumas espécies de Eriocaulaceae (monocotiledônea) podemos encontrar ainda, os chamados feixes vasculares biconcêntricos com dois anéis de xilema aparecem separados pelo floema.



Ricinus comunis - Feixe vascular colateral. Castro, N.M.  

 Cucurbita pepo. Feixe vascular bicolateral. Castro, N.M.

 Polipodium sp. Feixe vascular anficrival. http://www.uic.edu/classes/bios 



 Cordyline sp. Feixes vasculares anfivasais . Depto de Botânica- São Paulo.


       Paepalanthus speciosus. Feixe vascular biconcêntrico do escapo da inflorescência. Castro, N.M.


Como já foi dito anteriormente a ausência de uma endoderme, morfologicamente diferenciada, pode dificultar uma delimitação precisa entre o córtex e o cilindro vascular. No entanto, a presença de fibras de floema ou de fibras perivasculares servem para auxiliar nesta delimitação.



Diferenciação vascular primária



Assim que o procâmbio se diferencia entre as derivadas do meristema apical, ele assume o esboço do futuro sistema vascular do caule, que se desenvolverá a partir dele.

A diferenciação do xilema primário no caule é oposta à observada na raiz. Isto é, no caule os primeiros elementos de protoxilema diferenciam-se internamente (próximos da medula) e os elementos do metaxilema, formam-se mais distantes do centro. No caule o protoxilema é dito endarco, com o protoxilema interno e a sua maturação é centrífuga, isto é, acontece do centro para a periferia. A diferenciação do floema se dá como na raiz, ou seja, é centrípeta, com o protoxilema periférico e metaxilema mais próximo do centro do órgão. A posição do protoxilema é, um dos elementos mais importantes para separar uma estrutura caulinar de outra radicular.



Tumbergia sp. Protoxilema endarco. Depto. Botânica - USP São Paulo.





Traços e Lacunas Foliares



O caule e as folhas são estruturas contínuas. Assim, para se entender melhor o sistema vascular do caule, torna-se necessário estudá-lo levando-se em conta, sua conexão com o sistema vascular das folhas, que acontece na região dos nós, onde um ou mais feixes caulinares divergem para a(s) folha(s). 

O feixe vascular que se estende da base da folha, até unir-se a outro feixe no caule é denominado traço foliar. Assim, um traço foliar pode ser definido como a porção caulinar do suprimento vascular da folha. A porção foliar deste feixe, inicia-se somente na base do pecíolo e estende-se para o interior da lâmina foliar, onde ramifica-se intensamente. Os feixes vasculares vistos no córtex do caule, geralmente, são traços foliares. Na axila das folhas desenvolvem-se as gemas laterais, que darão origem aos ramos caulinares. O feixe vascular que faz conexão entre o eixo principal e a gema do ramo, chama-se traço de ramo.





Esquema mostrando a saída de um traço de folha, de um traço de ramo e de suas respectivas lacunas. Raven et al. Biologia Vegetal, 2001.


Estrutura Secundária



Como na raiz, a estrutura secundária do caule é formada pela atividade do câmbio vascular, que dá forma os tecidos vasculares secundários, e do felogênio que dá origem ao revestimento secundário - periderme.

Os caules diferem bastante entre si, no arranjo e na quantidade de tecidos vasculares primários e no acúmulo de tecidos secundários. O sistema vascular primário pode formar, entre outros:



um cilindro contínuo - sifonostele com os feixes bem próximos uns dos outros;

um cilindro constituído de feixes separados por faixas mais largas de parênquima interfascicular- eustele ou

um arranjo mais complexo com os feixes isolados, distribuídos de maneira caótica - atactostele.



Esquemas dos três tipos básicos de caules vistos em corte transversal. Raven, et al. Biologia Vegetal, 2001.



 Desenho esquemático mostrando organização atactostélica do caule das monocotiledôneas.








Origem do câmbio vascular



O câmbio vascular ou simplesmente câmbio é formado em parte do procâmbio, que permanece indiferenciado entre o xilema e o floema dos feixes vasculares, e em parte do parênquima interfascicular entre os feixes, mais exatamente do periciclo que volta a se dividir, formando um meristema secundário que faz a interligação das faixas de procâmbio. Alguns autores costumam dizer que o câmbio vascular é formado respectivamente, pelo câmbio fascicular e pelo câmbio interfascicular.

O câmbio completamente desenvolvido, tem a forma de um cilindro ôco, entre o xilema e o floema primários, extendendo-se através dos nós e dos entrenós. Se o eixo é ramificado, o câmbio do eixo principal é contínuo com o dos ramos e ele pode se extender até certa distância no interior da folha.



Forma usual de crescimento secundário



Quando o câmbio vascular entra em atividade produz, por divisões periclinais de suas células, xilema secundário para o interior do caule e floema secundário para a periferia. E através de divisões anticlinais aumenta o seu diâmetro, acompanhando o crescimento em espessura do órgão.

Os detalhes da origem e da atividade cambial são bastante variados, no entanto, três padrões mais comuns de desenvolvimento de estrutura secundária podem ser reconhecidos:
O tecido vascular primário forma um cilindro vascular quase contínuo nos entrenós, com o parênquima interfascicular formando faixas muito estreitas. Assim, com a formação do câmbio e dos tecidos vasculares secundários, estes também aparecem, como um cilindro contínuo, com raios parenquimáticos pouco desenvolvidos. Ex.: Nicotiana sp (fumo) e Hibiscus sp.
Nas Coníferas e em Ricinus sp (mamona), o tecido vascular primário forma um sistema de feixes bem separados pelo parênquima interfascicular. Mas após a formação do câmbio vascular e o desenvolvimento dos tecidos vasculares secundários, estes também aparecem como um cilindro contínuo, com uma maior produção de células de condução e de sustentação, do que de raios parenquimáticos.
Em algumas espécies trepadeiras como Aristolochia sp (papo-de-perú) e Vitis sp (videira), o tecido vascular primário se apresenta como um sistema de feixes bem separados pelo parênquima interfascicular. Com a instalação do câmbio, a porção interfascicular, desse meristema produz apenas raios parenquimáticos. Desta maneira, os tecidos vasculares secundários também aparecem como feixes separados por largos raios parenquimáticos.
Algumas dicotiledôneas podem apresentam ainda, crescimento secundário reduzido, com o câmbio limitando-se apenas aos feixes vasculares, como acontece entre as espécies da família cucurbitácea (Cucurbita pepo – abóbora), por exemplo.
A adição de novos tecidos vasculares provoca o aumento do diâmetro do caule, criando uma grande tensão no interior do órgão, principalmente, para os tecidos localizados externamente ao câmbio. Assim, o floema vai sendo deslocado para fora, sendo esmagado e deixando de ser funcional.
A epiderme é substituída pela periderme, tecido secundário que se forma a partir do felogênio. A origem do felogênio no caule é muito variada, mas geralmente forma-se a partir de camadas subepidérmicas, tanto do parênquima como do colênquima. Eventualmente, a epiderme e mais raramente camadas profundas do parênquima cortical, próximas da região vascular, ou até mesmo células do floema, podem dividir-se para dar origem ao felogênio.
Durante o crescimento secundário, o parênquima cortical primário pode permanecer por um certo período, se o felogênio for de origem superficial, ou pode ser completamente eliminado, quando o felogênio forma-se a partir de camadas mais profundas do córtex. No entanto, tanto no caule, como na raiz em estrutura secundária, frequentemente, o parênquima cortical que estava presente na estrutura primária, não é mais observado.

Crescimento Secundário em Monocotiledôneas

As monocotiledôneas, geralmente, não apresentam crescimento secundário. Algumas espécies, no entanto, podem desenvolver caules espessos devido à formação de um câmbio, como acontece em Agave, Cordiline e Dracena. Nestas espécies, o câmbio forma-se a partir do parênquima localizado externamente aos feixes vasculares (pericíclico). Quando o câmbio entra em atividade forma novos feixes vasculares e parênquima, para o centro do órgão, e apenas parênquima para a periferia do órgão.
Nas palmeiras há um considerável aumento em espessura no caule, no entanto, este crescimento secundário acontece sem o estabelecimento de uma faixa cambial contínua. Esse crescimento é resultante de divisões e expansão de células do parênquima fundamental. Tal crescimento é chamado crescimento secundário difuso. Difuso, porque a atividade meristemática não está restrita a uma determinada região e secundário, porque ocorre em regiões já distantes do meristema apical, à custa de divisões das células parenquimáticas.
Algumas monocotiledôneas formam peridermes como nas dicotiledôneas, como por exemplo em Dracaena, Aloe e nas palmeiras. Outras no entanto, apresentam um tipo especial de tecido protetor, o súber estratificado, como, por exemplo em Cordyline. 
Nas monocotiledôneas que não crescem em espessura, a epiderme pode permanecer intacta ou até tornar-se esclerificada. O parênquima cortical pode transformar-se num tecido protetor, pela suberinização ou esclerificação das paredes de suas células.

Crescimento Secundário “anômalo” em Dicotiledôneas

Os caules trepadores conhecidos por cipós ou liana, apresentam crescimento secundário em espessura, diferente do apresentado anteriormente, e por isso dito “anômalo”. Este crescimento, pode ser muito variado, e um dos mais conhecidos, é o observada em Bougainvillea sp (primavera) com formação de várias faixas cambiais, que se formam centrifugamente, produzindo: xilema e parênquima para o interior do órgão, e floema e parênquima para a periferia. Assim, em cortes transversais do ógão, os tecidos resultantes aparecem como anéis concêntricos de feixes vasculares incluídos no parênquima.
No caule de espécies trepadoras, há sempre uma grande produção de parênquima, o que garante flexibilidade para a planta, que enrola-se em suportes em busca de maior luminosidade.
Espécies de Bauhinia trepadeiras, como por exemplo na escada-de-macaco, após algum tempo de crescimento secundário usual, a maior parte do câmbio cessa seu funcionamento, exceto em dois pontos opostos que continuam em atividade, o que resulta na formação de caules achatados.
Em algumas espécies com crescimento secundário anômalo, o câmbio apesar de ocupar uma posição normal, leva à formação de uma estrutura secundária com uma distribuição incomum de xilema e floema. Em Thunbergia (Acanthaceae), o floema secundário não se forma apenas externamente ao câmbio. De tempo em tempo, o câmbio produz floema também em direção ao centro do órgão, formando o que se conhece como floema incluso. Além desses, existem vários outros tipos de crescimento secundário “anômalos”.



Thumbergia sp. Vista geral mostrando o floema secundário incluso no xilema secundário. 
Foto -Depto Botânica- USP- São Paulo.














Referências:


APEZZATO-DA-GLÓRIA, B. & CARMELLO-GUERREIRO, S.M. 2003. Anatomia Vegetal. Ed. UFV - Universidade Federal de Viçosa. Viçosa.
CUTTER, E.G. 1986. Anatomia Vegetal. Parte I - Células e Tecidos. 2ª ed. Roca. São Paulo.
RAVEN, P.H.; EVERT, R.F. & EICHCHORN, S.E. 2001. Biologia Vegetal. 6ª . ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro.