Para aqueles que são amantes da natureza...
Newton de Castro
terça-feira, 25 de maio de 2021
A ideologia do desenvolvimento sustentável
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Precisamos conversar sobre a pandemia sob o prisma do que vem acontecendo com o meio ambiente...
São muitas as transformações ocorridas no meio ambiente nas última décadas influenciadas principalmente pelas atividades econômicas e o poder do capital. A humanidade tem ignorado, há quase quatro décadas, o anúncio das mudanças climáticas em decorrência do uso de combustíveis fósseis e emissão de gás carbônico de outras fontes, como a atividade industrial sem nenhum controle. Ainda, conta com a contribuição das queimadas criminosas, que nos últimos tempos tem consumido fauna e flora no Brasil. Aumento de temperatura global do planeta, aumento do nível do mar em função do descongelamento de geleiras e a destruição da biodiversidade são consequências diretas da mudança climática. E o que isso tudo tem a ver com a pandemia de 2020 que se estenderá por um tempo que ninguém pode prever? Tudo! Vírus e outros seres que podem vir a causar perturbações e doenças são encontrados na biodiversidade. Vivem harmonicamente em seus reservatórios biológicos há milhões ou bilhões de anos em relações estáveis. A modificação da paisagem, ocupação de áreas de florestas, queimadas e desmatamentos provocam a destruição do habitat natural desses indivíduos, perturbando a dinâmica ecossistêmica. Convívio próximo com a espécie humana reflete mudanças de comportamentos e adaptações necessárias a sobrevivência serão estabelecidas, e aí tudo pode acontecer... não se pode esquecer que os vírus em especial, são naturalmente mutantes e parasitos obrigatórios por não possuírem a maquinaria bioquímica para produzir as substâncias necessárias a manutenção da sua vida. Ele usa uma maquinaria emprestada do ser que ele parasita: bactérias, células animais e células vegetais. É claro que essa problemática não está relaciona apenas aos vírus, mas a uma série de indivíduos que mudam de comportamento quando são desalojados pelo "progresso" e passam a se comportar como vetores de doenças, fazendo ponte entre o reservatório de vírus, protistas entre outros para a espécie humana. De modo ilustrativo, pode-se citar uma série de doenças denominadas de tropicais e que são negligenciadas pelo nosso sistema de saúde pela inexistência de políticas públicas. Entre elas, doença de chagas, malária, leishmaniose, febre amarela. O que se pode concluir? O ritmo de destruição das florestas e dos habitats naturais poderão produzir doenças que dependendo das condições de contágio e virulência do indivíduo desalojado, novas epidemias, endemias ou pandemias poderão surgir mais frequentemente. E não é somente isso! A velocidade em que tem acontecido a perda da biodiversidade e os reflexos da mudança climática, compromete a prestação de serviços ecossistêmicos, que são aquele em que não se paga, pois é prestado pela própria natureza quando se tem o equilíbrio, como polinização, ciclagem de nutrientes, produção de água e a manutenção do regime hidrológico para a produção de chuvas, e até mesmo, o ecoturismo e lazer para as comunidades. Será possível atividade de agropecuária sem os serviços ecossistêmicos? É apenas uma retórica provocativa para a reflexão...
Para quem desejar aprofundar nessa relação entre meio ambiente e pandemias, recomendo a leitura do artigo do link abaixo.
Pandemia, biodiversidade, mudanças globais e bem-estar humano
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Conheça a festa da semente em Mineiros, Goiás.
Não apenas sementes.
Quem visitar Mineiros (GO), no mês de setembro, poderá conferir o trabalho que é realizado em prol da preservação da biodiversidade, uma ação iniciada em 2009 e que já começa a ganhar ares de festa tradicional já na sua sétima edição nesse ano de 2015.
Aos interessados, a comissão organizadora realiza, ainda, o Encontro de Criadores de Suínos Caipira.
Dentre os objetivos estão a promoção do resgate de espécies crioulas e raças caipiras (agrobiodiversidade), além de proporcionar o intercâmbio entre produtores que possuam sementes crioulas e raças caipiras.
Também discuti a importância da agricultura familiar e oferece aos participantes grade de capacitação, inclusive na produção e processamento de alimentos.
A festa enseja resgatar espécies crioulas que fizeram parte do hábito alimentar das comunidades e que, ao longo dos anos, com os efeitos da globalização foram se perdendo. Entre as espécies estão o mangarito, o ora-pró-nobis e a araruta, importantes na alimentação das comunidades rurais.
A primeira edição da festa ocorreu em setembro de 2009, ocasião em que agricultores levaram como ingresso sementes e mudas de espécies crioulas, sendo posteriormente trocadas entre eles. Já na primeira edição, palestras, depoimentos e troca de experiências, além de degustação de alimentos feitos com as espécies.
A coordenação-geral fica por conta da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), UNIFIMES e conta com o apoio da prefeitura local e demais entidades.
Núcleo de estudo e pesquisa em agroecologia
http://www.fimes.edu.br/

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Aprendendo com formigas e cupins
Por: Washington Novaes
Publicado em: 28/09/2012Estranho que possa parecer, é tema altamente relevante, fascinante mesmo, por muitos ângulos. E quem se interessar pode, por exemplo, consultar o livro Journey to the ants – a story of scientif exploration” (Harvard Press University, 1994), de Bert Hordobler e Edward Wilson, este último considerado um dos maiores conhecedores da biodiversidade e o maior especialista em mirmecologia, o estudo das formigas, ao qual se dedica há meio século no mundo todo, com vários livros publicados. A ponto de um deles (The Ants, 1990), pesar 3,4 quilos.Juntos, Wilson e Hordobler têm pesquisas de quase um século.
Wilson e Hordobler começam ensinando aos humanos uma lição admirável das formigas : seu êxito – que as levará a dominar o planeta, de acordo com o primeiro – decorre do extraordinário comportamento de cooperação entre os milhares de membros de cada colônia, que gera extrema eficiência , na busca, transporte e armazenamento de alimentos, na reprodução, na defesa do grupo etc. Uma das armas principais nessa luta coletiva pela vida é o uso de vários tipos de linguagem (corporal, visual, gestual etc.), principalmente química – porque o odor de cada parte do corpo, emitido no encontro de dois seres, pode ter significados muito específicos, como alarme, desejo de atração, disposição para cuidar da cria, oferta de alimentos etc. E essa cooperação é a base da sobrevivência.
A colônia é o sentido fundamental da vida para cada formiga, embora possa haver disputa entre a rainha e formigas operárias, quando estas se sentem em condições de reproduzir (o que cabe à rainha). Pode haver também conflitos com outras formigas da mesma espécie. Mas, com suas características, as formigas sobrevivem há muito mais tempo que os seres humanos, uns 100 milhões de anos, desde a época dos dinossauros. É quase inacreditável, quando se lembra que o tamanho de uma formiga é de cerca de um milionésimo do corpo humano. Mas elas representam um por cento do quintilhão de insetos que existem no planeta – já eram na década de 90 cerca de 10 quatrilhões e cada formiga se reproduz umas 500 vezes nos 20 anos que o ser humano leva para formar cada nova geração. Por isso, pensa Wilson, as formigas dominarão a Terra. Hoje, juntas, pesam tanto quanto todos os seres humanos.
Já há estudos demonstrando que na floresta amazônica, perto de Manaus, formigas e térmites representam um terço da biomassa animal. Se a elas se acrescentarem abelhas e vespas, serão 80% do total. Por isso, dizem Wilson e seu parceiro, pode-se afirmar que “o socialismo funciona, em certas circunstâncias. Karl Marx apenas escolheu a espécie errada” para estudar. Embora, no caso das formigas, suas 500 mil células nervosas tenham, juntas, apenas o tamanho de uma letra numa página de livro. E se todas as espécies de formigas desaparecessem – afirmam – “seria uma catástrofe”
Poderíamos aprender muito com formigas, cupins e muitas outras espécies vegetais. Há alguns anos, quando produzia um documentário para a TV Cultura, o autor destas linhas foi ao Jardim Botânico paulistano acompanhando um especialista em grandes estruturas de concreto na USP, que começou mostrando uma variedade de bambu com a maior capacidade de resistência a impactos físicos por centímetro quadrado – e o estudo dos fundamentos dessa resistência serviam para orientar a criação de grandes estruturas de concreto. Depois, mostrou um cupinzeiro, abrindo com as palavras: “Este é o edifício mais inteligente que existe. Aqui vivem dezenas de milhares de indivíduos, que convivem em harmonia, trafegam sem congestionamento (para buscar alimentos), sem colisões, sem conflitos, orientando-se com várias linguagens. No interior do cupinzeiro, existem câmeras específicas onde a rainha deposita seus ovos para reprodução; câmeras para depósito de alimentos, com orifícios no alto para a saída de gases da decomposição; outros orifícios que são fechados ou abertos por ação dos cupins, para adaptar-se às temperaturas fria ou quente. Pode haver algo mais racional ?”
No momento em que tantos estudos mostram o momento difícil que vivemos por causa das várias crises globais, inclusive a da finitude de recursos naturais, é preciso entender muito mais da relação humana não apenas com os ecossistemas, biomas, áreas específicas, mas também do significado, em cada um deles, das muitas espécies, sua importância para a conservação – e para a sobrevivência humana. É espantoso que, na hora em que cientistas afirmam que toda a superfície de gelo acumulada no Ártico pode derreter-se (nos meses de verão) em quatro anos (guardian.co.uk, 17/9), liberando quantidades assombrosas de metano acumuladas sob a camada até aqui permanente, é preciso ter consciência da gravidade. E da necessidade de levar os comportamentos sociais a serem adequados às novas questões. Até formigas, cupins, abelhas e vespas enquadram-se nesse contexto.
É aflitivo, por isso, verificar a distância dos temas fundamentais em que se encontram, nesta hora, os temas das campanhas eleitorais em todo o país. Não será por essas veredas imediatistas que se poderá chegar a alguma via larga, aberta para o horizonte e o futuro.
domingo, 16 de setembro de 2012
Depósito de rejeitos do césio-137 em Abadia de Goiás foi alvo de polêmica
Moradores da cidade sofreram com o preconceito e tentaram impedir ação.
Local tornou-se o único depósito de lixo radioativo definitivo do Brasil.
(Foto: Adriano Zago/G1)
- Veja fotos do depósito de rejeitos do Césio-137, em Goiás
- Radioacidentados dizem que faltam remédios para vítimas do césio-137
- Veja a programação sobre os 25 anos do acidente com o césio-137, em GO
- Mãe da menina símbolo da tragédia com o césio-137 diz se sentir culpada
- Maior acidente radiológico do mundo completa 25 anos nesta semana
- Veja fotos da época do acidente com o césio-137 em Goiânia
- Série lembra os 25 anos da tragédia com o Césio-137 em Goiânia
(Foto: Adriano Zago/G1)
(Foto: Adriano Zago/G1)
Radioacidentados dizem que faltam remédios para vítimas do césio-137
'Em vez de heróis, somos excluídos', afirma policial que trabalhou no acidente.
Trabalhadores da época da tragédia ainda pleiteiam atendimento e pensão.
Sobre as críticas em torno do atendimento aos pacientes do Cara, André Luiz ressalta que a assistência vai além do fornecimento de remédios. Há também assistente social, médicos, odontólogos e psicólogos exclusivos. Atualmente, o centro atende 1.016 pacientes, que foram classificados em grupos 1, 2 e 3 para fins de atendimento médico.
- FOTOS: veja imagens do acidente com o césio-137
- Veja a programação sobre os 25 anos do acidente com o césio-137, em GO
- Mãe da menina símbolo da tragédia com o césio-137 diz se sentir culpada
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- Série lembra os 25 anos da tragédia com o Césio-137 em Goiânia
(Foto: Reprodução / TV Anhanguera)
A inclusão de novas vítimas do grupo 3 no programa de atendimento aos radioacidentados também pode ajudar no processo de solicitação de pensão. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, em 2010, haviam 181 pessoas cadastradas como beneficiárias de pensão da União e 480 que recebem pensão do estado de Goiás. Algumas dessas pessoas recebem as duas pensões.
A maior dificuldade das vítimas do acidente radiológico é justamente obter a confirmação de que a enfermidade adquirida por eles é uma consequência do césio-137. O histórico de doenças é extenso, mas, normalmente, apenas alguns tipos de câncer são aceitos. O aposentado Kardec Sebastião dos Santos, que ajudou a desmontar o equipamento de radioterapia, em setembro de 1987, se preocupa com o que está por vir. “Minha preocupação é essa, a medula. A doutora falou que, por causa do césio, não aumenta a plaqueta [quantidade de células sanguíneas que transportam oxigênio e nutrientes para o corpo]. Uma pessoa normal tem a partir de 150 mil [por milímetro cúbico de sangue]. A minha não passa de 103 mil”, comenta.

