Para aqueles que são amantes da natureza...

"Este cerrado é um pouco como o nosso povo brasileiro. Frágil e forte. As árvores tortas, às vezes raquíticas, guardam fortalezas desconhecidas. Suas raízes vão procurar nas profundezas do solo a sua sobrevivência, resistindo ao fogo, à seca e ao próprio homem. E ainda, como nosso povo, encontra forças para seguir em frente apesar de tudo e até por causa de tudo"

Newton de Castro


segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Noções de bioquímica celular: Substâncias inorgânicas

Composição Química


A análise química das células de qualquer ser vivo revela a presença constante de certas substâncias que, nos diversos organismos, desempenham fundamentalmente o mesmo papel biológico. 

Os componentes químicos da célula podem ser divididos em dois grandes grupos “Inorgânicos e Orgânicos”. 

Componentes inorgânicos: são moléculas simples, sem carbono na sua constituição. Ex.: água e sais minerais.
Descoberto pelo físico e químico escocês Joseph Black, o dióxido de carbono, representado pela formula química CO2, apesar de ter  
carbono é um composto inorgânico pertencente à categoria dos óxidos, gasoso em temperatura ambiente, incolor, inodoro, apolar, linear e solúvel em água. Essa substância também é conhecida como gás carbônico ou, ainda, anidrido carbônico.

A Água


Considerado o componente químico mais abundante da matéria viva, a água atua como solvente universal. Essa característica da água é de fundamental importância para os seres vivos, uma vez que as reações químicas de natureza biológica ocorrem em soluções. A maioria dos seres vivos conhecidos não sobrevivem na ausência de água. A quantidade de água no corpo dos seres vivos varia de espécie para espécie. 

Obs1.: as células nervosas do cérebro de um ser humano adulto podem conter cerca de 78% de água, enquanto as células ósseas, de menor atividade metabólica, contêm cerca de 40% de água. 
Obs2.: um feto humano de três meses, contém cerca de 94% de água, enquanto um recém nascido apresenta cerca de 70% e um ser humano adulto, aproximadamente 65%.

Propriedades da Água 


Cada molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênio (H) e um átomo de (O), e é representada pela fórmula H2O. A disposição dos átomos na molécula faz com que as cargas elétricas não sejam distribuídas de maneira uniforme, criando um pólo com cargas negativas e um com cargas positivas.
Assim, a água é considerada uma molécula polar. Os pólos positivos e negativos de diferentes moléculas se atraem, estabelecendo as ligações de hidrogênio (ou pontes de hidrogênio), que promovem a coesão entre as moléculas de água. 
A coesão entre as moléculas de água faz com que a superfície do líquido se comporte como uma película elástica. Essa propriedade, chamada de tensão superficial, permite que pequenos insetos caminhem sobre a água sem afundar. 
As moléculas de água também atraem outras moléculas e, assim, podem aderir a determinadas superfícies. Essa propriedade é denominada adesão. 
A coesão e a adesão permitem que a água suba por tubos finos em um fenômeno conhecido como capilaridade. As moléculas de água ligam-se entre si e com as paredes do tubo, possibilitando a ascensão do líquido. Esse fenômeno é parte da explicação de como a água, absorvida pelas raízes das plantas, chega até suas folhas mais altas. 
Outra propriedade da água relacionada a sua polaridade é a capacidade de dissolução. A água pode dissolver diversas substâncias, sendo chamada de solvente universal. 







Tensão superficial

A Água nos Seres Vivos

Por causa de suas propriedades químicas, a água desempenha diversas funções nos seres vivos. Algumas delas estão listadas a seguir: 
  • Participação em reações químicas: A água atua em diversas reações químicas dos organismos, como reagente ou como produto. 
  • Atuação como solvente: A água é capaz de dissolver gases, proteínas, aminoácidos e muitas outras substâncias, facilitando a ocorrência de reações químicas. 
  • Meio de transporte: O fluxo de água nas células e no organismo facilita o transporte de substâncias, como hormônios, nutrientes, gases, entre outras. 
  • Proteção térmica: A variação da temperatura da água é pequena, mesmo quando ela recebe grande quantidade de calor. Dessa forma, organismos que possuem grande quantidade de água em sua composição estão protegidos de variações de temperatura. Além disso, a evaporação da água presente no suor, por exemplo, contribui para o controle da temperatura corporal em alguns mamíferos. 
Sais Minerais

Os sais minerais são substâncias inorgânicas, ou seja, não podem ser produzidos por seres vivos. Sua maior parte está concentrada nos ossos. Entre os mais conhecidos estão o cálcio, o fósforo, o potássio, o enxofre, o sódio, o magnésio, o ferro, o cobre, o zinco, o selênio, o cromo, entre outros. 
Estas substâncias inorgânicas possuem funções muito importantes no corpo e a falta delas pode gerar desequilíbrios na saúde. Contudo, há alguns minerais como, por exemplo, o alumínio e o boro, que podem estar presentes no corpo sem nenhuma função. 

Alguns íons minerais, principais fontes e importância:

Sais
Fontes
Importância
Sódio
Sal de cozinha
Necessário para a transmissão nervosa e o equilíbrio hídrico em célula animal e vegetal.
Cloro
Sal de cozinha
Necessário na formação do suco gástrico.
Fósforo
Carnes, leite e cereais.
Atua na composição dos ossos e dos dentes; relações energéticas, formação de ácidos nucléicos.
Potássio
Carnes, leite e frutas.
Necessário para a transmissão nervosa e a contração muscular, ativador enzimático, atua no mecanismo estomático.
Cálcio
Laticínios e peixes.
Fundamental para os ossos e os dentes, formação da parede celular.
Iodo
Sal e frutos do mar.
Faz parte dos hormônios da tireóide.
Ferro
Carnes, cereais integrais e ovos.
Faz parte da molécula de hemoglobina, necessária para o transporte de gases no sangue.
Flúor
Na água fluoretada
Necessário para a transformação dos ossos e dos dentes.


Referências:
CURTIS, H. Biologia Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1985.

Introdução à Biologia

O que a Biologia Estuda?


A palavra biologia vem do grego bios “vida” e logos “estudo” ou “tratado”. 

Podemos conceituar biologia como: a ciência que estuda os seres vivos e suas manifestações vitais. 
Essas manifestações vitais são utilizadas para diferenciar os seres vivos dos seres brutos. 

Características da Vida: 

A Terra está cheia de vida. Nas profundezas dos oceanos e no ponto mais alto de latas montanhas é possível encontrar seres vivos. Tanto nas altas temperaturas vulcânicas, que queimariam a pele humana ao menor toque, como de baixo da neve, em temperaturas abaixo de zero grau, é possível encontrar vida. É claro que não são os mesmos seres que podem viver nessas condições tão extremas, mas eles possuem uma série de características comuns que expressam a vida. Não é fácil definir vida, mas é possível enumerar algumas características presentes nos seres vivos. 
Para ser considerado um ser vivo, esse tem que apresentar certas características como: Ser constituído de célula (presença de um envoltório); buscar energia para sobreviver (apresentar uma maquinaria bioquímica); responder a estímulos do meio; reproduzir (apresentar um programa reprodutivo estabelecido); evoluir. Ter metabolismo próprio. 
Um ser vivo, para ser assim considerado, não precisa ter todas as características que vamos estudar aqui, mas certamente possuir parte delas. 
Vamos estudar as seguintes manifestações vitais dos seres vivos: composição química, organização celular, metabolismo, excitabilidade, reprodução, e evolução. 

Composição Química:

É o conjunto de átomos que compõem os seres. A matéria viva se caracteriza pelo equilíbrio de bilhões de íons e de moléculas, que constituem seu equipamento bioquímico. 
A análise química das células de qualquer ser vivo revela a presença constante de certas substâncias que, nos diversos organismos, desempenham fundamentalmente o mesmo papel biológico. 

Os componentes químicos da célula podem ser divididos em dois grandes grupos “Inorgânicos e Orgânicos” 
  • Componentes inorgânicos: são moléculas simples, e estão representados pela água e sais minerais. 
  • Componentes orgânicos: são moléculas que possuem carbono na sua constituição, e são representados pelos carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas e os ácidos nucléicos. 
Organização Celular 

Enquanto nos seres não vivos não há uma organização complexa, nos seres vivos há unidades organizadas denominadas células. 
Célula: é a unidade morfológica (anatômica) e fisiológica dos seres vivos. E está dividida em três partes: membrana celular, citoplasma e núcleo. 
Com exceção dos vírus os demais seres vivos são constituídos por células. Essas apresentam constituição e organização diversificadas, como se observa a seguir: 

Quanto ao Número de Células: 
  • Unicelular : organismo constituído por uma única célula. Exemplos: bactérias, cianobactérias, protozoários, algumas algas e alguns fungos. 
  • Pluricelular : organismo constituído por várias células. Exemplos: algumas algas, alguns fungos, todos os vegetais (considerando-se que as classificações atuais colocam todas as algas eucariontes no Reino Protista) e todos os animais. 
Quanto à Organização Nuclear: 

  • Procarionte ou procariótica: não apresenta a carioteca ou membrana nuclear. Exemplos: bactérias e cianobactérias.


Cianobactéria

  • Eucariontes ou eucarióticas: são células mais complexas que os procariontes e apresentam carioteca ou envoltório nuclear e, portanto, o material genético organizado. Exemplos: Protozoários, algas protistas, fungos, vegetais e animais. 

Subdivisões das Células Eucariontes: 

Células Vegetais (com cloroplastos e com parede celular; normalmente, apenas, um grande vacúolo central).


                                                   Epiderme foliar  em corte paradérmico.

Elodea

Células Animais (sem cloroplastos e sem parede celular; vários pequenos vacúolos).


 Células da mucosa bucal.

Tecido epitelial, mostrando em roxo o núcleo das células.

Metabolismo

É o conjunto de transformações que ocorrem nos seres vivos. As substâncias que formam o corpo dos seres vivos estão em contínua modificação. Reagem umas com as outras e se modificam. 
O metabolismo ocorre quando, por exemplo, uma molécula de açúcar libera energia para o ser vivo, moléculas de aminoácidos se unem para formar as proteínas necessárias para o organismo, ou quando as enzimas digerem o alimento no intestino. O metabolismo pode ser dividido em: 
  • Catabolismo: reações que provocam a quebra de substâncias. Exemplos: respiração aeróbica, fermentação, digestão entre outros. 
  • Anabolismo: reações que provocam a síntese (produção) de substâncias. Exemplos: fotossíntese, quimiossíntese, fotorredução entre outros. 
  • Homeostase: conjunto de fenômenos que garantem o equilíbrio do organismo. Exemplo: o suor controlando a temperatura.
Tanto os organismos autótrofos como os heterótrofos necessitam de retirar a energia contida nas moléculas dos açucares. Isso eles fazem através da respiração. Essa energia é utilizada pelos seres vivos em suas várias atividades. 

Excitabilidade 

É a capacidade de um ser vivo de responder a um estímulo. São diversas as formas de um ser vivo responder a um estímulo, por exemplos: correr, andar, paralisar, tremer entre outros, porém depende sempre da participação de um dos dois fenômenos a seguir: 
  • Sensibilidade: envolve a participação do sistema nervoso; os organismos que apresentam podem responder de forma diferente ao mesmo tipo de estímulo. Exemplo: quando o estímulo é um beijo, ele pode ser rejeitado (no caso de um estranho, feio e de odor desagradável) ou aceito (no caso de um parente, um namorado ou namorada, isso se o odor for agradável). 
  • Irritabilidade: não tem a participação do sistema nervoso; são respostas atribuídas, sempre, da mesma forma. Exemplo: o fechamento da folha da planta, popularmente conhecida como malícia ou dormideira, ao ser tocada. 
Reprodução 

É a capacidade que os seres vivos têm de dar origem a novos indivíduos da mesma espécie. A reprodução é uma característica vital para a espécie, mas não para o indivíduo. 
Essa característica é necessária para manter uma espécie no decorrer dos tempos, curiosamente não é necessária para manter a vida de um indivíduo. Assim, se um único macaco-prego deixar de se reproduzir, a espécie continuará existindo. Porém, se todos os macacos-prego deixarem de se reproduzir, em uma única geração eles deixarão de existir. 

A reprodução pode ser: 
  • Reprodução assexuada ou agâmica: ocorre em um único organismo e pode ser: Cissiparidade ou fissão binária ou divisão simples ou bipartição e Gemiparidade ou Brotamento. Ex.: vírus, bactérias, algas unicelulares e em alguns protistas. 
  • Reprodução sexuada ou gâmica: ocorre pela união de duas células (gametas) que originam na maioria das vezes indivíduos diferentes, ou seja, há necessidade de dois sexos para haver reprodução entre os indivíduos. Ex.: homem x mulher, galo x galinha... 
Evolução 

É o processo através do qual ocorrem mudanças ou transformações nos seres vivos ao longo do tempo, dando origem a espécies novas. 
Os seres vivos são capazes de se modificar no decorrer do tempo graças, principalmente, as mutações. 
Sem essa capacidade a vida acabaria no planeta, já que este está continuamente se modificando. Se os seres vivos também não se modificassem, não seriam capazes de sobreviver às novas condições ambientais (seleção natural). 

Subdivisões da Biologia 

Assim como nas outras ciências a Biologia também apresenta subdivisões ou campos de estudo. Não é possível para um biólogo trabalhar conhecendo exclusivamente seu campo de ação. Um botânico deve ter conhecimentos de citologia, genética, zoologia. Há diversas formas de apresentar os campos da Biologia.


SUBDIVISÕES
OBJETO DE ESTUDO
Bioquímica ou Citoquímica
Os componentes químicos da matéria viva e seus respectivos papéis biológicos.
Citologia
Á célula, sua estrutura e seu funcionamento.
Histologia
Os tecidos formados pelas células.
Embriologia
A formação e o desenvolvimento dos embriões.
Genética
Os processos da hereditariedade, isto é, como os genes são transmitidos e como atuam.
Evolução
As origens e as modificações que as espécies sofrem no decorrer do tempo.
Ecologia
A estrutura e a função dentro das unidades da natureza, os ecossistemas.
Anatomia
A forma e a estrutura dos diferentes elementos constituintes dos seres vivos.
Fisiologia
O funcionamento das estruturas dos seres vivos sejam elas as células, os tecidos, os órgãos, os sistemas e o próprio ser vivo como um todo.
Taxonomia
Os critérios e a classificação dos seres vivos.
Paleontologia
Estuda fóssil e impressões deixados pelos seres que habitaram a Terra num passado remoto.


Referências: 

CURTIS, H. Biologia Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1985.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Teoria celular


A primeira descoberta
Em 1660, o microscopista italiano Marcello Malpighi observou, pela primeira vez, os vasos capilares sanguíneos presentes na cauda de peixes. Malpighi é considerado ainda hoje como o precursor da embriologia e da histologia, e sua descoberta foi de grande importância para elucidar uma importante questão da fisiologia animal.

Na época, acreditava-se que o sangue era produzido pelos intestinos, viajava para o fígado e coração, de onde era distribuído pelas veias para ser consumido pelo corpo. Em 1639, o médico inglês William Harvey formulou uma teoria afirmando que o sangue circulava continuamente pelo corpo, impulsionado pelo coração. Faltava apenas descobrir a conexão entre as artérias ( o caminho de ida do sangue) e as veias ( o caminho de volta do sangue), o que foi feito por Malpighi em 1660.

As "células" de Hooke

Em 1663, o cientista inglês Robert Hooke dedicou-se à observação da estrutura da cortiça, para tentar descobrir o que fazia dela um material tão leve e flutuante. Então, teve a ideia de cortá-la em fatias finas o bastante para que pudessem ser observadas ao microscópio. Através das lentes de aumento, ele constatou que a cortiça era formada por um grande número de cavidades preenchidas com ar. Dois anos depois, Hooke publicou a obra Micrographia, onde denominou as estruturas ocas de "células".

Na mesma época em que Hooke publicou a Micrographia, começaram a surgir outras obras sobre a observação microscópica, principalmente dos vegetais. Os cientistas usavam o termo célula para muitas outras estruturas, além de usarem expressões como "poros microscópicos", "bolhas", "sáculos" e "utrículos".










Descobrindo as células

As pesquisas sobre a estrutura dos vegetais avançaram tanto que, a partir da segunda década do século XVIII, já havia um consenso de que as plantas eram formadas por espaços microscópicos. Essas estruturas eram tão variadas que pensava-se não constituírem uma estrutura básica única, partilhada por todos os vegetais. Durante muito tempo houve polêmica: seriam os vegetais formados por células, ou por um tecido no qual as células não passavam de meras cavidades? Somente em 1805 foi possível isolar as células, confirmando-se sua individualidade e resolvendo a questão.

Nada disso foi levado em conta por Robert Hooke, que interpretou de um modo muito diferente os poros que observou na cortiça. Contudo, deve-se a ele o pioneirismo da observação e a criação do termo célula.

As células animais

Em 1673, o microscopista Leeuwenhoeck observou as primeiras células animais: os glóbulos vermelhos de sangue. Por serem as células animais muito menores, pensava-se na época que apenas o sangue era formado por estruturas microscópicas. Inicialmente, os glóbulos não foram considerados células, pois os cientistas não esperavam encontrar estruturas básicas em comum para animais e vegetais. Por algum tempo, os glóbulos continuaram a ser observados em várias partes dos animais, como nervos, músculos e pele, mas não se suspeitava que os tecidos fossem formados totalmente por essas estruturas.

Por dentro da célula

A partir de 1744, os cientistas começaram a pesquisar uma substância viscosa encontrada no interior de várias microestruturas animais. Quatorze anos depois, a mesma substância foi reconhecida nas microestruturas vegetais, reafirmando a similaridade entre as células animais e vegetais. Em 1860, a substância recebeu o nome oficial de protoplasma, e passou a suspeitar-se que ela estaria presente em todos os seres vivos.

O núcleo celular

Os estudos sobre o núcleo das células também foram importantes para a compreensão de seu papel nos seres vivos. O núcleo já havia sido observado por Leewenhoeck em 1700, mas somente no final do século XVIII passou a ser considerado parte das células. O exame mais detalhado do núcleo levou à descoberta, em 1781, de uma outra estrutura em seu interior, mais tarde batizada de nucléolo. Em 1836, os cientistas reconheceram a presença do núcleo em todas as células do tecido humano, com exceção das hemácias.

A teoria celular

Em 1839, o zoólogo alemão Theodor Schwann publicou a obra Investigações Microscópicas sobre a Estrutura e Crescimento dos Animais e das Plantas, que passou a ser conhecida como a Teoria Celular. Na obra, Schwann afirma que todos os tecidos animais e vegetais são formados por células. Ele se baseou no fato da presença do núcleo em todos os tipos de células, e na obediência a um processo básico comum de formação comandado pelo núcleo.
Schwann identificou a célula como a base das funções vitais dos organismos. Para ele, as células tinham dois tipos de atividades: uma plástica, responsável pelo crescimento, e outra metabólica, responsável pela transformação das substâncias intercelulares em elementos das células. Sua teoria foi bastante modificada pelas descobertas do século XX. Atualmente, sabe-se que a divisão celular é o único processo responsável pela formação de novas células. Contudo, seu trabalho provou que há uma unidade no mundo vivo e que ela reside na célula.
É pela organização que os seres vivos distinguem-se dos demais elementos da natureza. Numa resposta crítica ao mecanicismo, a nova teoria afirmava que cada ser vivo era um organismo cujos componentes encontravam-se, não apenas reunidos, mas integrados.
A teoria celular expressava ainda um debate mais amplo sobre as relações entre o indivíduo e a sociedade. Ao contrário dos filósofos da natureza, que consideravam a comunidade como um todo orgânico e os seres vivos como um todo indivisível, os adeptos da nova teoria defenderam que o organismo não poderia mais ser encarado como uma autocracia. Seria um "estado celular", uma coletividade em que "cada célula seria um cidadão", como afirmava o cientista alemão Theodor Schwann.

Microscópios simples








Modelos de microscópios da atualidade



Comparação entre os sistema de funcionamento da microscopia de luz e a eletrônica



















*MET: Microscópio eletrônico de transmissão
**MEV: Microscópio eletrônico de varredura


Referências:

http://www.invivo.fiocruz.br/celula/teoria_12.htm
DE ROBERTIS, E.D.P. & DE ROBERTIS Jr., E.M.F. Bases da Biologia Celular e Molecular. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. 
JUNQUEIRA, L.C. & CARNEIRO, J. Biologia Celular e Molecular. Rio de Janeiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
CURTIS, H. Biologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Histórico do microcópio

O microscópio é, sem dúvida, o principal instrumento de trabalho para a maioria dos Biomédicos. Não é à toa que no símbolo do nosso curso há um microscópio no centro. Você já parou para pensar como foi que chegamos ao modelo atual, presente na maioria dos laboratórios?

Confira agora uma breve história sobre ele!

2.000 a.C. – De acordo com um antigo texto, os chineses viam espécimes ampliados através de uma lente no final de um tubo que era preenchido com água. Os níveis de água dependiam do grau de ampliação que eles desejavam.


1590

1590s – Hans Jansen e seu filho Zacharias Jansen (Países Baixos) eram fabricantes de óculos e criaram um microscópio, que poderia ser considerado o primeiro. Ele consistia de três tubos cilíndricos usados para apoiar a ocular. As lentes eram inseridas no final desses tubos. A lente da ocular era bi-convexa e a lente da objetiva era plano-convexa, uma combinação avançada para a época.


1625

1625 – Galileo Galilei ficou sabendo dos experimentos de Hans e seu filho e, com isso, começou a trabalhar com lentes. A invenção do microscópio foi atribuída a Galileo, mas foi contestada por outros. Foi descrito como um “telescópio modificado para ver objetos de muito perto”. Johannes Faber, amigo de Galileo, conferiu ao instrumento o nome de microscópio, antes chamado de "occhialino".


1665

1665 – Robert Hooke publica a obra Micrographia que continha a descrição detalhada de 57 observações realizadas com o microscópio que o próprio cientista fabricou. Nesta obra aparece pela primeira vez o termo célula, ao referir-se aos poros observados numa fina lâmina de cortiça, que o faziam lembrar das celas dos monges.

1675 – Entra Anton van Leeuwenhoek, que usou um microscópio com uma lente para observar insetos e outros espécimes. Ele foi o primeiro a observar uma bactéria.

Com o tempo o microscópio tornou-se popular, e um motivo foi a descoberta de que combinando dois tipos de lentes o efeito cromático era reduzido.

1730s – O próximo grande passo da história do microscópio ocorreu com a invenção das lentes acromáticas (sem cor) por Charles Hall. Ele descobriu que usando uma segunda lente de forma e propriedades refratoras diferentes, poderia-se realinhar as cores com impacto mínimo na ampliação da primeira lente.


1830

1830s – Joseph Lister resolveu um problema, colocando as lentes em distâncias precisas uma da outra, fornecendo uma ampliação mais nítida.

Combinadas, essas duas descobertas (1730 e 1830) contribuíram para um incrível aumento na qualidade da imagem.

Abbe_Condenser

1863 – A empresa Ernst Leitz, fabricante de microscópios, introduziu o primeiro revólver giratório, com nada mais nada menos que cinco objetivas. Mais tarde Ernst Abbe, dono da empresa, desenvolveu um conjunto de 17 objetivas, incluindo três de imersão.

1930s – Fritz Zernike descobriu que ele podia ver células não coradas usando a transformação das diferentes fases dos raios de luz em diferenças luminosas. Ganhou o Nobel de Física em 1953.


1931

1931 - Max Knoll e Ernst Ruska inventaram o primeiro microscópio eletrônico. A diferença básica entre o microscópio óptico e o eletrônico é que neste último não é utilizada a luz, mas sim feixes de elétrons.

Com o passar dos anos as técnicas foram aprimoradas e assim chegamos ao microscópio como conhecemos hoje.

Novidades – Microscópios digitais: permitem a transmissão da imagem, em tempo real, a uma televisão ou computador e está ajudando a revolucionar a microfotografia. Há uma terceira ocular com uma câmera acoplada, permitindo a visualização em uma TV ou PC.

Dino-Lite: é um microscópio digital portátil, quase do tamanho de uma caneta. A capacidade de ampliação é de até 500x. Tem sido muito usado em indústrias para fazer inspeções.

Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2013/05/um-breve-historico-sobre-o-microscopio.html

Planta tóxica pode causar uma das piores dores do mundo até 1 ano após a picada com seus pelos urticantes



Gympie-Gympie não é um nome comum que você esperaria encontrar em uma planta. Mais incomum ainda é a dor que ela provoca se você se espetar com algum de seus espinhos em formato de pelos.


Ela parece ser bastante inofensiva, mas a Gympie-Gympie (espécie Dendrocnide moroides) é uma das plantas mais venenosas que existem no mundo. Elas são comumente encontradas nas florestas tropicais do nordeste da Austrália, nas Ilhas Molucas e na Indonésia, podendo alcançar até 2 metros de altura.

Se espetar na árvore pode ser tão perigoso que cães, cavalos e até mesmo humanos morrem após a terrível experiência. Se você tiver sorte em sobreviver, você sentirá uma dor absurdamente forte que pode durar vários meses. Além disso, a dor pode reaparecer após anos. Suas toxinas são tão poderosas que, mesmo sendo seca, moída e guardada por 100 anos, pode causar severas dores em quem entrar em contato com o pó.

Apenas as raízes são inofensivas. Todo o resto da planta é considerado mortal e suas folhas possuem formato de coração. Toda a planta possui minúsculos pelos urticantes em formatos de agulhas hipodérmicas, incluindo seus frutos avermelhados. Você precisa apenas tocar levemente a planta para ser espetado, recebendo uma dose da toxina chamada moroidina.


Botânicos relatam que apenas estando próximo da planta é possível começar a espirrar, ter prurido, erupções cutâneas e sangramentos através de pequenos pelos que podem se soltar da planta e sair “voando” com o vento.

De acordo com o virologista Dr. Mike Leahy: "A primeira coisa que você vai sentir é uma sensação de queimação muito intensa e isso cresce durante a próxima meia hora, tornando-se mais e mais dolorosa”.

Ele prossegue: "Pouco depois, as articulações podem doer, e você pode ter grande inchaço nas suas axilas, o que pode causar uma dor extremamente forte. Se você não remover todos os pelos que entraram na sua pele, as toxinas continuam sendo liberadas, causando dores torturantes por até um ano”.

O Gympie-Gympie é uma surpresa desagradável e inesperada nas florestas, causando acidentes com topógrafos, madeireiros e silvicultores. Mesmo botânicos experientes que já conhecem a planta, por vezes, tornam-se vítimas.

Os profissionais que lidam com a planta usam luvas muito grossas, máscaras de respiração e comprimidos anti-histamínicos, além de roupa especial para proteger todo o corpo.


"Ser picado é o pior tipo de dor que você pode imaginar - como ser queimado com ácido quente e eletrocutado ao mesmo tempo", disse a entomologista e ecologista Marina Hurley, que foi picada após morar três anos em Queensland, na Austrália. Ela era uma estudante de pós-graduação na Universidade James Cook na época e investigava herbívoros que comem árvores urticantes.

"A reação alérgica desenvolvida ao longo do tempo, causou coceira extrema e enormes e buracos na pele que tiveram que ser tratadas com fármacos potentes. Nesse ponto, o meu médico aconselhou que eu jamais deveria voltar a estudar esta planta”.

Uma das primeiras pessoas a documentar os efeitos adversos da picada da Gympie-Gympie foi um morador de Queensland, que relatou que seu cavalo, após ser picado pela planta, começou a se comportar como louco e morreu após 2 horas, em 1866.

Em 1994, o australiano Cyril Bromley descreveu a experiência após ter caído em cima de uma árvore. Ele ficou amarrado por três semanas na cama do hospital por não conseguir se controlar pelas dores. Todos os tipos de tratamentos e medicamentos foram usados, mas nada surtia efeito. Ele descreveu a dor como a mais terrível que um humano pode sentir, comentando também que um dos oficiais se matou depois de usar a folha para se higienizar após defecar e não suportar as dores.

A maioria das curas conhecidas para uma picada de Gympie-Gympie são bastante rudimentares. Analgésicos são geralmente prescritos para exposições menores à planta. Se o paciente entrou em contato com muitos pelos, recomenda-se depilar toda a região a fim de arrancar os minúsculos pontos injetores de toxina.

Curiosamente, o exército britânico mostrou interesse nas propriedades do Gympie-Gympie e suas aplicações no final do ano 1968. Um laboratório de química ultrassecreto do exército contratou Alan Seawright, professor de patologia da Universidade de Queensland, para conseguir amostras da planta, informando que a intenção era a pesquisa de uma nova arma biológica: “Eu nunca ouvi nada mais sobre isso após fornecer as amostras, então, acho que nunca saberemos o que eles fizeram ao estudar a planta”, afirmou Alan.


Fonte: