Asteraceae

Para aqueles que são amantes da natureza...

"Este cerrado é um pouco como o nosso povo brasileiro. Frágil e forte. As árvores tortas, às vezes raquíticas, guardam fortalezas desconhecidas. Suas raízes vão procurar nas profundezas do solo a sua sobrevivência, resistindo ao fogo, à seca e ao próprio homem. E ainda, como nosso povo, encontra forças para seguir em frente apesar de tudo e até por causa de tudo"

Newton de Castro


quarta-feira, 18 de março de 2020

Fundamentos de Ciências na Educação Infantil de 1º ao 5º ano - Atividades para tempos de Coronavírus (COVID-19)



Aulas referentes ao período de 16 a 28 de março de 2020.

Siga os passos descritos abaixo.

1. Assistir o vídeo:


A BNCC na prática - Ciências da Natureza - Margareth Polido

Atividade prevista:
Fazer resumo dos artigos discutidos em sala de aula para submissão no colóquio conforme as normas abaixo.


RESUMO SIMPLES


O resumo deverá ter no mínimo 300 e máximo 500 palavras e contemplar a introdução, objetivos, metodologias, principais resultados, discussão e conclusão (esses dizeres não devem aparecer no corpo do texto). O resumo deverá ser enviado em arquivo Word compatível com a versão 2003, ou similar e deverá ser organizado considerando a seguinte estrutura: Idioma: português; Fonte: Times New Roman, estilo normal, corpo 12 (tamanho da letra); Espaçamento entre linhas 1,5; Alinhamento: justificado; margens esquerda e superior 3 cm; direita e inferior 2 cm. Título O título deverá ser conciso, refletir o conteúdo do trabalho, ser digitado em caixa alta, em negrito, centralizado e sem ponto final. Autores Os nomes completos dos autores deverão ser posicionados abaixo do título, alinhados à direita e considerando a ordem de autoria. Em nota de rodapé devem constar descrição de seu vínculo institucional e somente o correio eletrônico do autor para correspondência.

DA FORMATAÇÃO DO PÔSTER (após a aprovação do resumo)

Os pôsteres deverão seguir a formatação do modelo disponibilizado no site oficial do evento. Dimensões: 90 cm de largura por 120 cm de altura; Corpo: o tamanho e o tipo de letra ficam a critério do autor, desde que o texto seja legível a uma distância de 50 cm; Título do trabalho (o mesmo do resumo); Autores; Instituição; Introdução (com objetivos), material e métodos (metodologia), resultados e discussão (recomenda-se a utilização de fotografias, gráficos, tabelas e figuras que facilitem a ilustração), conclusões e principais referências bibliográficas;
Fixação: o pôster deverá vir com madeiramento na parte superior para facilitar fixação do mesmo na estrutura disponibilizada pela organização do V Colóquio Estadual de Pesquisa Multidisciplinar, III Congresso Nacional de Pesquisa Multidisciplinar e I Conferência Internacional de Pesquisa Multidisciplinar da UNIFIMES. É importante destacar que a confecção, bem como a fixação, do pôster é de inteira responsabilidade do participante.

CALENDÁRIO DO COLÓQUIO

• 12/03/2020 à 10/04/2020 – Período de submissão de trabalhos; 
• 13/04/2020 à 17/04/2020 – Avaliação dos trabalhos pelos revisores; 
• 22/04/2020 – Divulgação do resultado da avaliação dos trabalhos;
 • 29/04/2020 – Prazo final para o reenvio dos trabalhos aprovados com correções; 
• 11/05/2020 – Divulgação dos horários e locais das apresentações dos trabalhos aprovados; 
• 13/05/2020 – Último dia para a inscrição; 
• 14/05/2020 – Último dia para pagamento do boleto.



Natália, Nathalia: O ensino de ciências no ensino fundamental: colocando as pedras fundacionais do pensamento científico. Autora: Melina Furman.


Thalwilla, Leila, Waldineia: Travessias da aula em campo na geografia escolar: a necessidade convertida para além da fábula. Autores: Christian Dennys Monteiro de Oliveira e Raimundo Jucier Sousa de Assis

Brenda, Kelly, Joice: Aulas de campo em ambientes naturais e aprendizagem em ciências - um estudo com alunos do ensino fundamental. Autores: Tatiana Seniciato e Osmar Cavassan 

Dayane, Andreia, Cleiber: O livro didático de ciências no ensino fundamental - propostas de critérios para análise do conteúdo zoológico. Autores: Simão Dias Vasconcelos e Emanuel Souto 

Tamires, Atsury: Atividades práticas e o ensino-aprendizagem de ciência(s): mitos, tendências e distorções. Autora: Fernanda Bassoli

Em função do calendário do Colóquio e do fechamento do bimestre, a entrega deverá ocorrer até 05 de abril de 2020 em arquivo a ser enviado para o email katya@unifimes.edu.br com o título Resumo Colóquio - nome dos acadêmicos.
Ex: Resumo Colóquio - Tamires, Atsury
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Exercícios de Absorção de água e nutrientes

1. Assistir os vídeos:
Canais Iônicos e Proteínas Carreadoras
Fungos micorrízicos
A brasileira que revolucionou a agronomia mundial: Johanna Döbereiner
2. Responder as questões propostas: 
a. Quais são os critérios da essencialidade de um mineral?
b. De que forma os íons se movem do solo para a raiz?
c. Diferencie a absorção apoplástica da simplástica.
d. Relacione os fatores que favorecem a absorção.
e. De que forma os fungos micorrízicos favorecem a absorção do fósforo? 

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Exercícios de Epiderme e suas formações

1. Assistir o vídeo:
Epiderme
Epiderme e Periderme

2. Responder as questões propostas:
a. Diferencie a epiderme da periderme.
b. Explique de que forma a epiderme faz a proteção química e a proteção física.
c. Quais são os tipos de tricomas? Com que estes tipos de células estão relacionadas?
d. O que são células buliformes? Qual a função e em que tipo de planta é comum?
e. Descreva a estrutura do complexo estomático. Qual a função? Qual o critério para a sua classificação.

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Ácidos Nucleicos (vídeos e Atividades)

Ácidos Nucleicos

1. Fazer a leitura do texto do link:
http://katyabotanica.blogspot.com/2016/04/acidos-nucleicos.html

2. Assistir o vídeo:
Ácidos Nucleicos
Rosalind Franklin

3. Responder as questões propostas:
a. Quais são os elementos que compõem os ácidos nucleicos?
b. Relacione pelo menos 5 diferenças entre DNA e RNA.
c. O que é o ATP?


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019


GRAZIELA MACIEL BARROSO (1912-2003)

http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/graziela_maciel_barroso.html


https://unifei.edu.br/personalidades-do-muro/extensao/graziela-barroso/

Nasceu em 11 de abril de 1912, em Corumbá (Mato Grosso do Sul). Como a maior parte das moças de sua época, Graziela Maciel Barroso foi educada para ser dona de casa. Casou-se aos 16 anos com o agrônomo Liberato Joaquim Barroso, e morou em vários lugares do país por causa de seu trabalho. Aos 30 anos, no entanto, com os filhos já crescidos, Liberato perguntou à esposa se ela gostaria de voltar a estudar, e passou a lhe ensinar botânica. "Meu marido foi meu grande mestre", diz. Graziela foi então trabalhar como estagiária no Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Foi a primeira mulher a fazer o concurso para ser naturalista do Jardim Botânico, tirou o segundo lugar e a partir de 1946 trabalhou com seu marido em sistemática botânica. Durante muitos anos, Graziela trabalhou sem ter curso superior. Apesar disso, orientava os novos estagiários e mesmo mestrandos e doutorandos. Aos 47 anos, decidiu estudar e ingressou no curso de biologia da Universidade do Estado da Guanabara. Finalmente, em 1973, aos 60 anos defendeu sua tese de doutorado “Compositae - subtribo Baccharidinae Hoffmann - estudo das espécies ocorrentes no Brasil”.
Dona Graziela é conhecida como a “primeira grande dama” da botânica brasileira, tendo sido professora de quase todos os botânicos brasileiros, nos seus mais de 50 anos de atividade didática. Sua obra mais conhecida é provavelmente “Sistemática de Angiospermas do Brasil,” em 3 volumes, dos quais dois foram publicados depois de sua aposentadoria compulsória em 1982. Seu quarto livro, “Frutos e Sementes,” foi publicado em 1999. Em sua homenagem, mais de 25 espécies vegetais identificadas nos últimos anos foram batizadas com seu nome, como Dorstenia grazielae (caiapiá-da-graziela) da família das Moraceas (a da figueira), Diatenopteryx grazielae (maria-preta). Viúva em 1949, continuou o trabalho, orientando e ensinando. Tornou-se a maior catalogadora de plantas do Brasil. Seu livro “Sistemática de angiospermas do Brasil” é uma referência internacional sobre o assunto, sendo adotado em todas as universidades brasileiras. Eleita para a Academia Brasileira de Ciência, sua posse estava marcada para o dia 4 de junho de 2003, mas faleceu no dia 5 de maio daquele ano.



Entrevista: http://www.canalciencia.ibict.br/notaveis/livros/graziela_maciel_barroso_15.html

Fontes

 1. http://memoria.cnpq.br/web/guest/pioneiras-view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/902992

 2. http://www.sbpcnet.org.br/site/publicacoes/outras-publicacoes/livro_pioneiras.pdf
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Marcadores: mulheres na ciência

sábado, 8 de dezembro de 2018

Johanna Döbereiner



Johanna Döbereiner: a cientista que revolucionou a agricultura


Johanna Döbereiner já inspirou centenas de textos a seu respeito. Foi matéria das principais revistas nacionais e ainda hoje é lembrada quando o assunto é ciência. Foi, como muitos dos amigos e colegas de trabalho dizem, uma mulher à frente de seu tempo. Clichês à parte, a vida de Johanna foi mesmo um feito notável. Ela precisou se impor para ser reconhecida; precisou defender seus ideais em um ambiente geralmente inóspito a seu gênero; precisou mostrar que era competente, eficaz e eficiente para assumir múltiplos papéis. E sua trajetória começa bem antes da figura da senhora de cabelos brancos segurando e analisando placas em laboratório. A imagem de uma Johanna jovem e persistente é tão real quanto a da senhora indicada ao Nobel de Química nos seus 72 anos.

Johanna foi cientista, mulher e mãe. Recebeu inúmeros prêmios e homenagens. Liderou a pesquisa no então Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas – o precursor da Embrapa Agrobiologia – e orientou bolsistas que hoje estão espalhados pelo Brasil inteiro, quiçá pelo mundo. Foi chefe da Unidade, mas jamais deixou a pesquisa de lado para focar somente nos trâmites administrativos e burocráticos de uma instituição governamental de pesquisa. Acumulava funções com maestria, como se estivesse de fato regendo uma orquestra.

Em um século em que a agricultura somava desafios e tinha a presença masculina como regra, ela foi a exceção. Ao insistir no uso de microrganismos para promover a fixação biológica de nitrogênio e multiplicar a produtividade brasileira, alavancando a agricultura tropical e dando um novo alento na busca por competitividade frente a grandes mercados, ela selou seu nome na história. Sua contribuição transformou o Brasil no segundo maior produtor mundial de soja, atrás apenas dos Estados Unidos.

Totalmente baseado no processo de FBN, o programa brasileiro de melhoramento da soja, iniciado em 1964, desenvolveu-se no sentido inverso ao daquele país, que era baseado sobretudo no uso intensivo de adubos nitrogenados. Johanna estudou a fundo o uso de bactérias para impulsionar a fixação de nitrogênio na soja e a aplicação prática da técnica permitiu que o Brasil eliminasse o uso desses adubos químicos, representando uma economia anual de mais de 2 bilhões de dólares – sem falar na sustentabilidade, já que a tecnologia não gera passivos ambientais. "Na década de 60, ir contra a adubação química era quase um sacrilégio. Os fertilizantes estavam revolucionando a agricultura. Só muito tempo depois vi que nossas pesquisas não só permitiam uma produção mais barata como também mais ecológica, porque não poluía os rios nem o solo", disse, em entrevista à Revista Veja, em agosto de 1996.


A contribuição de Johanna para a ciência e a agricultura é evidente – e basta uma folheada nas matérias da época para relembrar como foi sua trajetória. Ela e seus colegas descreveram mais de nove novas espécies de bactérias diazotróficas, fato inédito para o Brasil na área agrícola. Johanna revolucionou a forma de trabalhar a agricultura, provando que é possível ter uma produção sustentável sem desgastar recursos naturais e maximizando a produtividade. Mas será que a "senhora das criaturas milagrosas", como a chamou a Revista Veja, sabia que avançaria tanto no conhecimento científico quando teve o contato com a terra pela primeira vez?

Embora não haja resposta para a pergunta, uma coisa é certa: a maior satisfação de Johanna era ver sua contribuição, por meio de sua pesquisa, para a adoção de práticas sustentáveis na agricultura – e não os prêmios e homenagens que lotavam as paredes e móveis de sua sala. O reconhecimento, sempre compartilhava com os colegas de trabalho. "Não faço nada sozinha. Tudo é fruto de muita troca entre nossa equipe", dizia.

Johanna nasceu em Aussig, na antiga Tchecoslováquia, mas foi no Brasil que fincou suas raízes. No município fluminense de Seropédica, no interior do Rio de Janeiro, ela se estabeleceu e criou os três filhos – Maria Luísa (Marlis), Christian Erhard e Lorenz. Foram 48 anos na mesma casa, na Rua Colina, ao lado do marido, o médico veterinário Jürgen Döbereiner (na foto ao lado, os dois juntos, em 1999). Naturalizada brasileira em 1956, ela chegou ao Rio de Janeiro em 1950, depois de anos turbulentos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.

Sua mãe, Margarethe Kubelka, havia morrido em um campo de concentração tcheco – um dos muitos que foram formados na então Tchecoslováquia após o conflito, em perseguição a alemães e à parcela da população do país que havia recebido a nacionalidade alemã no início da guerra. Mas sua força já havia sido transmitida para Johanna. "Não devemos falar para nossa filha que seu destino estará alcançado quando encontrar um marido. Devemos dizer à nossa filha que sua vitória foi atingida quando se orgulhar do que realizou", escreveu Margarethe em seu diário. 

Pouco depois da morte de Margarethe, a família continuou a sofrer a perseguição dos tchecos, sendo expulsa do País em 1945. O pai, Paul Kubelka, deixou Praga acompanhado do irmão de Johanna, Werner. Ela, por sua vez, seguiu para a Alemanha com os avós, deixando para trás a cidade em que vivera desde a infância e onde por vezes acompanhara o pai nas aulas de Química que ele ministrava na Universidade de Praga.

O contato com a agricultura se deu em meados da década de 1940, quando conseguiu um emprego como operária rural em Sadisdorf, na região alemã de Dresden (foto à direita). Era plantando batatas e ordenhando vacas que ela garantia o salário para manter a si e a seus avós, que vieram a falecer ainda em 1945. Talvez inspirada pela força e pela educação que sua mãe lhe dera, decidiu contrariar as convenções de gênero e matriculou-se no curso de Agronomia da Universidade de Munique – área de difícil abertura para mulheres. Custeava os estudos trabalhando no campo, em uma fazenda que produzia variedades melhoradas de trigo, onde também se preparou para fazer as provas práticas exigidas para o ingresso no curso.

A faculdade deu certeza à Johanna do caminho que iria trilhar. Foi ali que ela conheceu Jürgen, companheiro de longos anos, e quando desembarcou no Brasil, em 1950, seguindo os passos do pai, foi com o diploma de agrônoma nas mãos que ela chegou ao Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícola do Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas. Confessou que não aprendera nada prático na universidade, devido às limitações do pós-guerra, mas que tinha muita vontade para aprender o que fosse preciso. Foi contratada na hora.

Mas foi nas terras brasileiras que Johanna diz que aprendeu de verdade a fazer ciência. Em 1957 já era pesquisadora assistente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, em 1968, pesquisadora conferencista. Entre 1963 e 1969, quando poucos cientistas acreditavam que a fixação biológica de nitrogênio poderia competir com fertilizantes minerais, Johanna deu início a um programa de pesquisas sobre os aspectos limitantes da técnica em leguminosas tropicais.

Destacou-se, conquistou o respeito de seus pares e, aos poucos, tornou-se mundialmente reconhecida pelo seu trabalho. Mas era modesta. Não titubeava ao responder quando alguém lhe perguntava como era sua vida de pesquisadora: "Não tem nada de mais na vida de um cientista. É rotina como outra qualquer. Só que meu escritório é um laboratório. Sou uma camponesa no laboratório."

Tal dinamismo não foi ofuscado pelos anos de vida. Fosse aos 30 ou aos 70, Johanna mantinha o brilho no olhar, a rigidez na apuração dos dados e a convicção de que somente a ciência e a busca pelo conhecimento poderiam contribuir para uma agricultura mais sustentável. "Tenho ideias para mais 50 ou 60 anos. Não vou viver tudo isso. Temos que trocar informações e conhecimentos. A ciência precisa disso", afirmou, já no auge da sua carreira. 

Indicada ao Nobel, mas anônima para o grande público

O estilo de vida pacato do interior do Brasil conquistou definitivamente Jürgen e Johanna, que sempre declarava seu amor pela pátria que a acolheu após os anos de horror da Guerra. "Me senti como estrangeira só nos primeiros anos, porque não falava a língua direito, não entendia", disse ao jornal O Globo, em 1979. "A gente veio como imigrante, sabendo que escolheu o Brasil como pátria e não para mudar nada. Eu sabia que estava sem pátria e vim aqui procurar uma nova pátria. Então vim com mentalidade positiva", completou. 

Cientista reconhecida pela Academia Internacional, ela se dividia entre o reconhecimento no meio acadêmico e o anonimato para o grande público. Não era grande a parcela da população brasileira que já havia escutado seu nome quando ela veio a falecer, em outubro de 2000, aos 75 anos. Ainda hoje não é. Modesta, mantinha a simplicidade em tudo: no vestuário, na casa, no dia a dia. Não esbanjava luxo ou tinha uma vida de excessos. Não ficou rica ou famosa. "Eu teria condições, hoje em dia, de escolher qualquer parte do mundo para viver. Teria facilidade em arranjar empregos equivalentes ou melhores nos EUA, na Austrália, na Europa. Recebi convites para trabalhar em outros países, mas não troco o Brasil por nenhum outro. É o país que escolhi, estou muito bem aqui e não o deixaria nem para ter vantagens em outros lugares", contou ao Globo, ainda em 1979.

Era ávida e persistente. Mas, em casa, sabia deixar o trabalho descansando para o dia seguinte. "No fim do expediente, paro tudo. Desligo a cabeça, ouço concertos e penso na vida", contou, certa vez. Essa talvez tenha sido a receita para trabalhar por tanto tempo, sempre apaixonadamente – e o melhor, com o apoio irrestrito da família. Exerceu a profissão até mesmo depois de ter sido diagnosticada com problemas neurológicos, tendo permanecido até os últimos dias de sua vida trabalhando em seu laboratório na Embrapa Agrobiologia, acompanhando os trabalhos dos alunos e colegas. "A gente não pode nunca se conformar com o que já existe. Sempre há possibilidade de melhorar", dizia.


O legado: Johanna e as pesquisas sobre FBN

O cerne da pesquisa de Johanna Döbereiner sempre foi relacionado à fixação biológica do nitrogênio (FBN) e às bactérias capazes de realizar esse processo, por meio da captação do nitrogênio presente no ar e transformação em um elemento assimilável pelas plantas. Seus estudos avançaram a tal modo que contribuíram definitivamente para possibilitar o avanço do programa Pró-Álcool e também para colocar o Brasil como segundo maior produtor mundial de soja, atrás apenas dos Estados Unidos. A FBN possibilita a substituição de adubos químicos nitrogenados, oferecendo, assim, vantagens econômicas, sociais e ambientais para o produtor, para o consumidor e para o meio ambiente. Estima-se que a FBN tenha uma contribuição global para os diferentes ecossistemas da ordem de 258 milhões de toneladas de nitrogênio (N) por ano, sendo que a contribuição na agricultura é estimada em 60 milhões de toneladas.
Vítima de enfermidade neurológica, Johanna falece, deixando um importante legado para a ciência mundial.




Fonte: https://www.embrapa.br/johanna-dobereiner/quem-foi
https://www.embrapa.br/johanna-dobereiner

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Marcadores: mulheres na ciência

Marie Curie


MARIE CURIE, INTERPRETADA POR SUSAN MARIE FRONTCZAK (FOTO: SUSAN MARIE FRONTCZAK)

Marie Curie

Maria Salomea Sklodowska nasceu em 1867 na cidade de Varsóvia, na Polônia. Em qualquer outra família, Maria e suas três irmãs mais velhas teriam sido criadas para serem boas esposas, mas não foi o caso: os Sklodowska lutaram para que as quatro filhas tivessem as mesmas oportunidades acadêmicas que seu único filho homem.
Os esforços tiveram resultados: décadas depois, Maria — que mudou seu nome para Marie ao se mudar para a França — se tornou uma das pioneiras nos estudos relacionados à radioatividade. Perdemos esta incrível cientista nesta mesma data (4 de julho) há 82 anos, mas fomos privilegiados com os diversos conhecimentos e descobertas que ela nos deixou.

1 - Marie teve que se esforçar muito mais por ser mulher. Como aponta Alexander Rivkin, da Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos: “Marie Curie foi uma gênia da ciência quando as oportunidades para as mulheres, especialmente na academia, eram escassas”. Apesar de ter terminado o colegial quando tinha apenas 15 anos, Marie não conseguiu estudar na Universidade de Varsóvia, na Polônia, porque a instituição não aceitava estudantes do sexo feminino. Aos 17 anos, ela se mudou para Paris para estudar física na Universidade Paris-Sorbonne. Marie optou por morar em um apartamento péssimo, mas que era próximo da universidade, de forma que pudesse ter mais tempo para estudar. Ela vivia sem dinheiro, e por muito tempo sobreviveu de pão e chá. No fim, Marie colheu os frutos do esforço: ela foi uma das melhores alunas de sua turma, recebeu o diploma em física em 1893 e ganhou uma bolsa para estudar matemática na mesma instituição.

2 - Ao estudar a descoberta da radioatividade espontânea, feita por Henri Becquerel, Marie e seu marido Pierre desenvolveram a teoria da radioatividade. A cientista descobriu que é possível medir a força da radiação do urânio; que a intensidade da radiação é proporcional à quantidade de urânio ou tório no composto e que a habilidade de emitir radiação não depende da disposição dos átomos em uma molécula e sim com o interior do próprio átomo.

3 - Quando percebeu que alguns compostos tinham mais radiação do que o urânio, Marie sugeriu a existência de outro elemento com mais radiação do que o urânio e o tório. A cientista estava certa: em 1898, ela e Pierre descobriram dois novos elementos radioativos, o rádio (900 vezes mais radioativo que o urânio) e o polônio(400 vezes mais radioativo que o urânio), cujo nome é uma homenagem à Polônia, país de origem de Marie.

4 - Em 1903, Marie e Pierre dividiram o Prêmio Nobel de Física com Henri Becquerel pela descoberta da radioatividade e, em 1911, a cientista foi agraciada com o Prêmio Nobel de Química pela descoberta e pelos estudos em torno dos elementos rádio e polônio. Ela foi a primeira pessoa e única mulher a ter ganhado o Nobel duas vezes em áreas distintas.

5 - A descoberta do rádio e do polônio colaborou para o desenvolvimento dos aparelhos de raio X. Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie foi a campo levando aparelhos portáteis de raio X para ajudar nos cuidados dos soldados feridos.

Fonte:https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/03/10-grandes-mulheres-da-ciencia.html

Assista o documentário:



Assista o filme: 




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